Na ONU, Bush ignora Irã e pede defesa da democracia

Americano procurou diminuir atenção dispensada no dia anterior ao presidente da República Islâmica

Reuters,

25 de setembro de 2007 | 12h32

Um dia depois de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ter ocupado as manchetes dos principais jornais do planeta, seu principal crítico, George W. Bush, preferiu ignorá-lo durante seu discurso para Assembléia Geral da ONU, nesta terça-feira, 25, em Nova York. Veja também:Bush anuncia sanções contra MianmáBan alerta para 'série assustadora de desafios' Chávez cancela discurso na Assembléia GeralPaíses ricos precisam dar exemplo, diz LulaApós dircurso de Bush, Cuba deixa plenário Sarkozy: permitir Irã nuclear pode gerar guerra  Numa aparente tentativa de diminuir a atenção dispensada ao líder da República Islâmica, o presidente americano trocou suas freqüentes críticas ao programa nuclear e ao suposto apoio de Teerã ao terrorismo por pedidos pelo fortalecimento da democracia. A única menção ao Irã veio quando Bush citou países que violam os direitos humanos.  Na segunda-feira, Ahmadinejad virou o foco das atenções devido a um pronunciamento na Universidade Columbia, uma das mais importantes dos EUA. O convite ao líder iraniano foi amplamente criticado por vários setores da sociedade americana.  Bush também afirmou estar avaliando a possibilidade de ampliação do Conselho de Segurança da ONU e que o Japão, aliado próximo, seria uma opção para se tornar membro permanente do grupo.  "Os Estados Unidos estão abertos para esta possibilidade", disse Bush em discurso na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). "Nós acreditamos que o Japão está bem qualificado para ser um membro permanente no Conselho de Segurança e que outras nações devem ser consideradas também." O Conselho de Segurança é formado por dez membros rotativos e cinco permanentes, com poder de veto. Além dos Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido fazem parte da entidade mais poderosa do Sistem multilateral internacional. Segundo o presidente americano, os Estados Unidos estão escutariam todas as "boas idéias" de reforma. A referência ao antigo contencioso para uma mudança na estrutura de poder da ONU veio depois de uma crítica ao Conselho de Direitos Humanos do órgão. Para Bush, o conselho ignora abusos cometidos em lugares como o Irã "enquanto se foca excessivamente em críticas contra Israel". Crise em Mianmá No discurso, o presidente também anunciou um novo pacote de sanções contra a junta militar que governa Mianmá.  "Liberdades fundamentais de discurso, reunião e religião são severamente restritas" no país asiático, argumentou o presidente. "Minorias étnicas são perseguidas. Trabalho forçado infantil, tráfico humano e estupro são práticas comuns. O regime mantém presos mais de mil prisioneiros políticos, inclusive San Suu Kyi, cujo partido foi eleito por imensa maioria pelo povo birmanês em 1990." Bush anunciou uma ampliar nas sanções econômicas contra os líderes do regime e seus financiadores, assim como a imposição de um veto para a aquisição de vistos aos birmaneses acusados por violações dos direitos humanos. 'Luta por democracia' No mesmo discurso, o presidente americano também pediu apoio a outras nações no que classificou como uma luta pela democracia no Afeganistão, Iraque e Líbano.  "As populações do Líbano, Afeganistão e Iraque pediram por nossa ajuda, e toda nação civilizada tem a responsabilidade de apoiá-las", disse Bush. "Toda nação civilizada tem também a responsabilidade de apoiar as pessoas que sofrem sob ditaduras", completou. "Na Bielo-Rússia, Coréia do Norte, Síria e Irã regimes brutais negam às pessoas os direitos fundamentais guardados pela Declaração Universal" da ONU. Cuba Embora a guerra no Iraque continue e seja um dos temas de debate mais acalorado nos Estados Unidos, Bush praticamente não mencionou o conflito. O Irã também ficou de fora do discurso. O futuro de Cuba, no entanto, não foi ignorado. O presidente destacou a histórica saída de Fidel Castro do poder e sugeriu que o líder de 81 anos, que se recupera de delicadas cirurgias na região do abdômen, dificilmente retornará.  "Em Cuba, o longo governo de um ditador cruel está chegando ao fim", disse Bush. "O povo cubano está pronto para a liberdade. E agora que aquela nação entra em um período de transição, as Nações Unidas devem insistir na liberdade de expressão, liberdade de reunião e, por fim, eleições livres e competitivas." As declarações geraram revolta na delegação cubana, que deixou a Assembléia Geral após o discurso.

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