Reuters/reprodução
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Na TV, Barack Obama fala sobre Saúde, Afeganistão e Rússia

Em esforço para defender propostas, presidente americano deu entrevistas a cinco talk shows ao mesmo tempo

AP, Reuters e BBC Brasil,

20 de setembro de 2009 | 16h55

O americano Barack Obama tornou-se o primeiro presidente a aparecer em cinco talk shows ao mesmo tempo, na manhã deste domingo - um esforço extraordinário para defender suas propostas, que estão sob intenso ataque do Partido Republicano. Ele falou aos programas "This Week", com George Stephanopoulos, da rede ABC; "Meet the Press," da NBC; "Face the Nation," da CBS; "State of the Union", da CNN e "Al Punto", do canal em língua espanhola Univisión. A Fox News Channel, que Obama acusou no início deste ano de estar "inteiramente devotada a atacar minha administração", ficou fora da lista. Entre os assuntos comentados estavam Afeganistão, escudo antimísseis no leste europeu, a economia norte-americana e a reforma na Saúde.

 

As entrevistas foram gravadas na sexta-feira, na Casa Branca. Sobre política externa, Obama afirmou que o governo não definiu um prazo para a saída das tropas americanas do Afeganistão e que não tomará uma decisão a respeito por conveniência política.

 

"Não tenho um prazo para a retirada" das tropas, disse Obama em um programa do canal CNN, embora também tenha afirmado que não acredita em "ocupações indefinidas em outros países". Já em um programa da NBC, o presidente americano se mostrou cético sobre o possível envio de mais tropas ao Afeganistão.

 

"Até não estar satisfeito de que temos a estratégia correta, não enviarei mais homens ou mulheres para lá, além do que já temos", disse Obama. "Não me interessa estar no Afeganistão só por estar no Afeganistão (...) ou por enviar de alguma maneira a mensagem de que os EUA ficarão ali" enquanto durar o conflito, assegurou Obama, para quem essa guerra é só um dos desafios na frente internacional.

 

Ao canal ABC, Obama disse que o objetivo final da estratégia e do envio de tropas ao Afeganistão deve ser derrotar a Al-Qaeda e reiterou que fará o que for preciso para proteger o povo americano. No programa da CNN, o presidente considerou que a captura do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, dependerá em parte de que os EUA tenham muito bem definida a estratégia militar no Afeganistão, algo que, segundo ele, não aconteceu no governo anterior.

 

As declarações de Obama sobre o Afeganistão são feitas no momento em que tanto a opinião pública americana como líderes democratas do Senado se mostram cada vez mais impacientes com a evolução do conflito no Afeganistão e pressionam pela retiradas das tropas.

 

ESCUDO ANTIMÍSSEIS

 

Obama afirmou em entrevista transmitida pela CBS que sua decisão de cancelar a instalação de sistemas antimísseis na Polônia e na República Checa, anunciada na semana passada, não foi determinada pela oposição da Rússia ao projeto. "Os russos não determinam qual a nossa postura sobre defesa", disse o presidente americano. "Se o subproduto (da decisão americana) é que os russos se sintam um pouco menos paranoicos... então isso é um bônus", afirmou.

 

Conservadores americanos criticaram a decisão de abandonar o plano que previa a instalação de interceptadores de mísseis na Polônia e uma estação de radar na República Checa. O antecessor de Obama, George W. Bush, responsável pelo projeto, argumentou que o sistema era necessário para conter ameaças potenciais do Irã. Mas o governo russo afirmava que o projeto tinha a Rússia como alvo, e elogiou a decisão americana de abandoná-lo.

 

Como resposta, na sexta-feira a Rússia indicou que vai suspender seus planos de posicionar mísseis no enclave de Kaliningrado, território russo que fica entre a Polônia e a Lituânia.

 

ECONOMIA

 

Falando sobre economia, Obama disse que todos os sinais apontam para a recuperação da economia norte-americana, mas que pode não haver criação de empregos suficiente até o ano que vem. "Quero ser claro que provavelmente o quadro de empregos não vá melhorar consideravelmente, e pode até ficar um pouco pior, nos próximos meses", disse ele em entrevista a CNN.

 

"E nós provavelmente não vamos começar a ver criação de empregos o bastante para atender à crescente população até algum momento do ano que vem", acrescentou o presidente americano. Ele ponderou que 150 mil empregos devem ser criados por mês apenas para acompanhar o crescimento da população.

 

SAÚDE

 

Nos programas, Obama tentou amenizar as críticas a um ponto-chave do projeto de lei para reforma na Saúde redigido pelo presidente do Comitê de Finanças do Senado, Max Baucus: fazer com que as pessoas que têm seguro-saúde compartilhem os custos de forma justa entre todos. Para os detratores da proposta, obrigar as pessoas a comprar seguro-saúde é, no fundo, o mesmo que pagar mais um imposto. Mas o presidente comparou a medida à aquela que manda todos os donos de carro comprarem seguro de automóvel. "Não é imposto."

 

Obama argumentou que a proposta não quebra sua promessa de campanha de não aumentar a carga tributária da classe média. "Para nós, dizer que você tem a responsabilidade de comprar um seguro de saúde não é absolutamente o mesmo que pagar impostos", disse ao programa "This Week", da ABC. Ele também repetiu seu argumento de que dois terços do custo do sistema, de US$ 900 bilhões, seriam cobertos com o corte de desperdícios existentes no atual programa.

 

Na Univisión, Obama concordou que "há preocupações legítimas a respeito de que essa é uma grande questão", mas expressou confiança de que o projeto de lei vai ser aprovado pelo Congresso. Os democratas estão decepcionados com a proposta de lei do presidente do comitê, senador Max Baucus, de Montana, e os republicanos vêm uma chance de dar um golpe duro que poderia enfraquecer a presidência do parlamentar.

 

O comitê, com 23 membros, é um microcosmo dentro do Senado, uma porta estreita por onde tem que passar uma legislação que cubra quase 50 milhões de norte-americanos que não possuem seguro saúde e ainda controle os custos do sistema. Se o comitê não chegar a um acordo, então a possibilidade de Obama e dos democratas aprovarem a lei neste ano será remota.

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