Nasa adia para segunda-feira caminhada espacial

A viagem será adiada por problemas médicos de um astronauta

EFE,

10 de fevereiro de 2008 | 02h53

A nave espacial "Atlantis" se acoplou, neste domingo, com sucesso à Estação Espacial Internacional (ISS), mas a instalação do laboratório europeu Columbus no complexo será adiada por problemas médicos de um astronauta. O laboratório, avaliado em US$ 1,9 bilhão, chegou à ISS na nave "Atlantis". Estava previsto que o astronauta alemão Hans Schlegel participasse da caminhada, mas será substituído pelo americano Stan Love, informou a agência espacial americana. A Nasa não explicou por que substituiu Schlegel, mas o comandante da "Atlantis", Stephen Frick, solicitou uma conferência médica privada após chegar a estação espacial. "Direi simplesmente que não vai afetar nenhum dos objetivos desta missão", afirmou John Shannon, presidente da equipe de controle da missão, acrescentando que simplesmente obrigará a reorganização de algumas atividades. Shannon evitou dar mais detalhes, ao citar a privacidade médica, mas destacou que não se trata de uma condição que ponha em perigo a vida do astronauta. Schlegel, de 56 anos, que foi à ISS na "Atlantis", não parecia estar doente durante as imagens nas quais aparecia flutuando na ISS. Estava previsto que o astronauta participasse da primeira das três caminhadas com o americano Rex Walheim. Ainda se desconhece o futuro da segunda das caminhadas prevista para na quarta-feira. O encontro das duas naves a quase 400 quilômetros da superfície terrestre aconteceu sem problemas às 15h17, horário de Brasília, informou o controle da missão no centro espacial Kennedy, na Flórida. Imediatamente após o acoplamento, os sete astronautas da missão STS-122 da nave realizaram uma série de provas de pressão antes de abrir as portas para se encontrar com os ocupantes da ISS. Os astronautas iniciariam os preparativos para a primeira das três caminhadas que a missão deve realizar para instalar o laboratório científico Columbus, a maior contribuição européia à estrutura do complexo que orbita a quase 400 quilômetros da Terra. Antes do acoplamento, a comandante da ISS, Peggy Whitson, e a tripulação fotografaram a parte inferior do escudo térmico que protege a nave para se certificar de que uma pequena rachadura que foi detectada não representa ameaça. As imagens obtidas serão analisadas pelos engenheiros da Nasa em Houston. Os astronautas da "Atlantis" avistaram a estação quando estavam a cerca de 64 quilômetros de distância. "É muito brilhante", afirmou Stephen Frick, comandante da nave. "Não sabemos se é por causa das velas do bolo de aniversário de Peggy", brincou Kevin Ford do centro de controle da missão em Houston, em referência ao 48º aniversário de Peggy Whitson. Whitson e o engenheiro russo Yuri Malenchenko estão há quatro meses na estação e permanecerão por mais dois em órbita antes de ser substituídos em abril. O terceiro membro da ISS, Dan Tani, voltará à Terra no "Atlantis". O astronauta francês Leopold Eyharts, que viaja na nave, ocupará seu lugar. A Nasa tem 11 missões de abastecimento e construção pendentes para ser completadas pela ISS antes de retirar sua frota de naves em 2010. A agência espacial afirmou que o Columbus será um importante centro de experimentos biológicos, físicos e materiais que ampliará a capacidade científica do complexo. O Columbus será instalado do lado direito do módulo Harmony, sobre o eixo central da ISS e tem vida útil de 10 anos. O laboratório científico tem sete metros e pesa 10,3 toneladas em terra. Seu corpo principal, assim como suas estruturas secundárias, foram fabricados com ligas de metais de alumínio e suas superfícies estão cobertas com várias camadas isolantes para manter a estabilidade térmica. A isso se somam duas toneladas de painéis, também construídos com ligas de metais de alumínio, às quais se juntam camadas de Kevlar e Nextel para proteger o laboratório dos escombros cósmicos. Kevlar é uma fibra de vidro ultra-resistente a impactos e Nextel é um poderoso isolante de cerâmica. Uma importante característica do Columbus é que seus sistemas podem ser facilmente adaptáveis a todos os outros módulos que não sejam russos e abrigar outras instalações ou subsistemas experimentais. Embora seja o menor laboratório da ISS, tem um volume e potência similares aos demais. A isso se acrescenta o fato de que viaja com uma carga de 2.500 quilos de instalações e equipamentos. Essas instalações incluem o "Biolab", suporte para experimentos com microorganismos, cultivos de células e de tecidos, além de plantas e animais. O Columbus também conta com o "Laboratório de Ciências de Fluidos" que poderia levar a melhorias na produção energética, eficiência de propulsão, assim como à observação de outros problemas ambientais. Outras instalações importantes são os módulos dedicados a experimentos relativos à fisiologia humana que têm a ver com a perda óssea, a circulação sanguínea, a respiração e o comportamento orgânico e imunológico na falta de gravidade do espaço.

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