Nasa diz que divulgará estudo sobre segurança de vôo nos EUA

Agência dicide abandonar sigilo de relatório e revela declarações comprometedoras de pilotos e controladores

Associated Press,

02 de novembro de 2007 | 14h42

A Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) decidiu abandonar o sigilo e divulgar a quase totalidade de um estudo sobre a segurança do espaço aéreo do país, segundo informa a Associated Press nesta sexta-feira, 2. A pesquisa, que levantou um enorme polêmica na última semana, pode revelar que a segurança dos vôos comerciais está muito mais comprometida do que as autoridades aéreas imaginavam.  Veja também:BLOG DO GUTERMAN: Voar é para os pássaros?Pesquisa sobre segurança aérea é mantida sob sigilo pela Nasa Situações de quase colisão e interferências em pistas de decolagem são problemas comuns no sistema aéreo dos EUA. A grande discussão, no entanto, é que "a publicação das informações requeridas, que são sensíveis e relacionadas à segurança, pode afetar materialmente a confiança da população e o bem-estar comercial das empresas aéreas cujos pilotos participaram da pesquisa", justificou um alto funcionário da Nasa em uma resposta ao pedido da Associated Press para que a pesquisa fosse divulgada.  O estudo foi conduzido com 24 mil pilotos e controladores, os quais tiveram suas identidades mantidas em anonimato. As entrevistas demonstram péssimas condições de trabalho de pilotos, momentos de colisões iminentes e aterrissagens perigosas, entre muitas outras situações. A Nasa divulgou nesta sexta, 2, um trecho da pesquisa. Em março de 2004, diz a reportagenm da AP, dois pilotos que conduziam uma aeronave Airbus 319 de Baltimore, a maior cidade do Estado de Maryland, a Denver, capital do Colorado, adormeceram durante o trajeto. Eles foram acordados somente pelo frenético chamado dos controladores em terra, alertando-os de que estavam se aproximando do aeroporto no dobro da velocidade permitida. Esta situação, conhecida como "olho vermelho" (em referência aos vôos noturnos de longa duração que obrigam os pilotos a se manterem acordados), ocorrem freqüentemente, segundo comprovou o estudo da Nasa.  "Pelos últimos 45 minutos de vôo eu adormeci, assim como o co-piloto", afirmou o comandante do vôo da United Airlines aos pesquisadores da agência aérea, em um trecho a pesquisa revelado nesta sexta. Procurada pela Associated Press, a companhia não confirmou nenhum registro de incidente de "olho vermelho" em vôos noturnos. Segundo a explicação do profissional citado, ele já havia trabalhado por três noites seguidas, em viagens de oito horas. Além disso, entre os resultados do levantamento vazados à AP, há informações de que o número de batidas provocadas por pássaros e situações de quase colisão aérea são duas vezes superior aos registrados nos sistemas de monitoramento do governo.  A pesquisa também mostra números alarmantes de pilotos que teriam sido informados sobre mudanças nas instruções de pouso na última hora, algo que segundo a AP seria "potencialmente perigoso". Pesquisa A pesquisa, conduzida em segredo pela Nasa, durou cerca de quatro anos e custou US$ 11,3 milhões ao contribuinte americano. A agência de notícias explica que soube da existência do levantamento por meio de uma fonte anônima, e revela ter tentado a abertura dos dados, por cerca de 14 meses, com base Ato de Liberdade de Informação. Com a repercussão do escândalo, o administrador da Nasa, Mike Griffin, divulgou nesta segunda uma nota explicando ter sabido que a pesquisa estava sendo mantida sob sigilo apenas com o pedido da AP.  Nesta semana, a Nasa esclareceu que "nós assumimos o que dissemos, e isso foi um erro", segundo afirmou a administrador Michael Griffin. "Pedimos desculpas... As pessoas cometem erros. E isso foi um erro." "Estou revendo esse pedido por meio do Ato de Liberdade de Informação para determinar quais - se houver alguma - dessas informações podem ser tornadas publicas legalmente. A Nasa deve focar em como dar informações ao público; não como escondê-la", diz a nota. No texto, Griffin ressalta ainda sempre ter defendido a abertura e transparência das pesquisas e análises feitas pela Nasa.  A polêmica já repercute com força no Congresso americano. "Se as linhas aéreas não são seguras, eu quero saber mais sobre isso", disse o presidente da subcomissão de investigações em Ciência e Tecnologia da Câmara dos Representantes, deputado Brad Miller.  O político pediu à Nasa que passe a sua subcomissão informações sobre a pesquisa e sobre a decisão de mantê-la sob sigilo. "A informação parece ter grande valor para a segurança da aviação, mas não num arquivo da Nasa", argumentou o deputado no pedido.  O republicano Bart Gordon, chefe do Comitê para a Ciência e Saúde do Congresso afirmou que as razões da Nasa para esconder a pesquisa foram, ao mesmo tempo, "problemáticas e inconvincentes". Nesta sexta, Griffin reafirmou que o relatório será liberado apenas com o que não é considerado como uma "informação confidencial comercial".

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