Nos EUA, 'Mercador da Morte' russo se declara inocente

O russo Viktor Bout declarou-se na quarta-feira inocente perante a Justiça norte-americana, que determinou sua prisão sem direito a fiança depois de ele ter sido extraditado pela Tailândia, uma medida que Moscou qualificou de ilegal.

REUTERS

17 de novembro de 2010 | 18h21

Bout, de 43 anos, ex-oficial da Força Aérea soviética, chegou a Nova York na noite de terça-feira para responder às acusações de terrorismo e tráfico de armas. Sua próxima audiência está marcada para janeiro, e ele pode ser condenado a prisão perpétua.

"O chamado 'Mercador da Morte' agora é um preso federal", disse o procurador Preet Bharara à Reuters. "Ele é um réu indiciado e tem todos os direitos concedidos a qualquer um aqui em Nova York ou em qualquer outro lugar deste país."

Bout é acusado de ter fornecido armas a partir de meados da década de 1990 para ditadores e zonas de conflito da África, América do Sul e Oriente Médio. Ele inspirou o personagem de Nicholas Cage no filme "O Senhor das Armas."

Desde que foi preso em Bangcoc, em março de 2008, Bout tentava evitar a extradição para os EUA, afinal autorizada pelo governo tailandês apesar dos alertas de Moscou que de isso poderia abalar as relações entre EUA e Rússia.

A chancelaria russa disse que a extradição obedeceu a motivações políticas, e que ela contraria os esforços do presidente dos EUA, Barack Obama, para "relançar" as relações com Moscou.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e os EUA já haviam adotado sanções para restringir as finanças e os deslocamentos de Bout. Ele afirma que as acusações são uma "fantasia norte-americana" e diz ser um empresário inocente.

Bout foi preso num hotel de luxo por agentes que se fizeram passar por ativistas da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) interessados em comprar armas. A operação contou com a participação de autoridades dos EUA e da Tailândia.

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