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Nova York quer renúncia do governador Spitzer após escândalo

Pesquisa mostra que 70% dos nova-iorquinos são a favor da saída após envolvimento com prostituição de luxo

Agências internacionais,

12 de março de 2008 | 07h50

Blogs, comentaristas e até comediantes já abordaram o escândalo com a rede de prostituição de luxo que envolveu o governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer. Agora, a população afirma que ele deve renunciar ao cargo, segundo uma pesquisa que diz que 70% dos nova-iorquinos são a favor de sua saída, enquanto 66% acreditam que ele deveria sofrer um impeachment e ser removido do cargo se não renunciar.   Veja também:  Outros escândalos sexuais na política americana O governador de Nova York deve renunciar ao cargo?  Se Spitzer renunciar, NY terá o 1° governador cego nos EUA   O governo estadual permaneceu parado na terça-feira, enquanto Spitzer estava engajado no intenso debate legal e familiar sobre a sua renúncia, após as denúncias de que o governador, que é casado há 21 anos e tem três filhas, está sendo investigado por promotores federais pela tentativa de esconder o destino do pagamento dos programas - o dinheiro, que pode chegar a US$ 80 mil e era depositado na conta de empresas fantasmas - e por ter-se envolvido com uma prostituta e deslocado a mulher entre Estados (ação criminosa nos EUA). Apoiadores de Spitzer afirma que sua mulher é contra a renúncia.   A pesquisa mostra ainda que a aprovação de seu governo caiu drasticamente desde novembro, quando atingiu a marca história de 69%. Apenas 30% aprovam a administração de Spitzer, pouco menos do que os 35% de janeiro. Mesmo se ele renunciar, 49% da população afirmou que ele deveria ser indiciado criminalmente. A sondagem telefônica foi feita com 624 eleitores registrados e tem margem de erro de 4 pontos percentuais.   Investigações federais apontaram Spitzer como cliente da Emperors Club VIP, uma rede de prostituição de luxo que cobrava até US$ 5.500 por hora pelo programa. Segundo conversas telefônicas gravadas, o governador teria desembolsado US$ 4.300 por quatro horas da companhia de uma garota identificada como Kristen. Spitzer, porém, teria usado apenas duas horas porque tinha de trabalhar cedo no dia seguinte. Despesas adicionais como passagens de trem, tarifas de táxis e serviço de quarto foram pagas à parte pelo governador. Para fazer os pagamentos dos serviços, Spitzer usava o nome George Fox, amigo de longa data e um dos financiadores de sua campanha. Fox emitiu nota afirmando que não sabia que seu nome era usado pelo governador para fazer as transações, mas garantiu que Spitzer já lhe pediu desculpas.   Enquanto Spitzer e sua família evitam deixar o apartamento em Manhattan, pessoas próximas afirmam que o governador está tentando decidir como proceder e até considera deixar o cargo. A pressão para o governador de Nova York aumentou quando líderes republicanos deram ao democrata um prazo para deixar o cargo. "Se ele (Spitzer) não renunciar em 48 horas, vamos preparar um pedido de impeachment para tirá-lo do poder", afirmou James Tedisco, líder republicano da Assembléia Legislativa de Nova York.   Vice negro e cego   Caso a renúncia do governador se confirme, seu sucessor não será apenas o primeiro governador negro do Estado e o quarto em todo o país. O vice de Spitzer, David Paterson, será também o primeiro governador cego e o primeiro de NY com algum tipo de deficiência desde Franklin D. Roosevelt (1929-1932), que perdeu a mobilidade nas pernas por causa da poliomielite. Roosevelt chegaria depois à Casa Branca.   Paterson contraiu uma infecção quando era criança e, três meses depois, ficou totalmente cego do olho esquerdo e com a visão prejudicada no direito. Antes de ser eleito vice-governador, em 2006, Paterson ocupava havia 11 anos o cargo de senador por Nova York, defendendo os interesses dos deficientes físicos. Em 2002, ele foi eleito líder da minoria democrata no Senado.   Apesar da deficiência visual, ele caminha há 22 anos pelos corredores do Capitólio sem ajuda, reconhece pessoas que estão conversando a poucos metros e memoriza discursos inteiros. O político também já jogou basquete e correu uma maratona. Formado em Direito pela Universidade Harvard, Paterson apóia a senadora Hillary Clinton e era visto como o principal candidato para sucedê-la, caso ela seja eleita presidente em novembro.   Fama   Uma mulher não identificada, acusada de dirigir a rede de prostituição, afirmou que o governador tinha fama de ser "difícil" por pedir coisas que "não eram consideradas seguras". A mulher afirmou que Kristen é uma morena magra de 1,60m e 55 kg.   Nas gravações, o governador é identificado como "Cliente 9" e confirma planos para Kristen viajar de Nova York para Washington, onde ele tinha uma suíte de hotel reservada na noite de 13 de fevereiro, véspera do Dia dos Namorados nos EUA. Uma lei federal de1910 relativa ao tráfico humano e imoralidade em geral qualifica como crime transportar uma pessoa entre Estados para o propósito de prostituição.   (Com The New York Times, Washington Post e Associated Press)

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