Nova York se encolhe à espera do furacão Sandy

Dizem que Nova York é a cidade que nunca dorme. Mas, andando no domingo por Manhattan, parecia que muitas empresas estavam preparadas para uma pausa, talvez por vários dias.

MICHELLE CONLIN, Reuters

29 de outubro de 2012 | 08h44

Um furacão monstruoso, com potencial para ser o maior já registrado a atingir os Estados Unidos, avançava rumo à cidade, ameaçando provocar prejuízos catastróficos, inundações bíblicas e apagões com duração de vários dias.

Na Times Square, os restaurantes, lojas de produtos eletrônicos e perfumarias estavam dispensando funcionários antes das 19h, horário em que o metrô pararia de circular. As mesmas cenas se repetiam em locais movimentados, como a avenida Madison, o Greenwich Village e a Bleeker Street. Muitos estabelecimentos não tinham prazo para reabrir.

"Depois de segunda-feira, os empregados ficarão de prontidão", disse Jerome Ison, balconista da loja Burberry.

Na padaria Magnolia, cujos cupcakes se tornaram famosos graças à série de TV "Sex and the City", os fornos foram desligados por volta de 12h, e novas fornadas foram canceladas.

Em toda Manhattan, vendedores de pretzels e "hot-dogs" estavam recolhendo suas coisas e, em muitos casos, cruzando as pontes e túneis que levam a Nova Jersey, Brooklyn e Staten Island.

"Todo mundo está indo embora", disse a vendedora de amendoim Miah Daras, moradora do Bronx. "Para mim, está sendo um prejuízo de 300 dólares por dia."

A fuga de Manhattan foi motivada pela interrupção generalizada dos transportes, uma situação que ilustra uma divisão socioeconômica -- há muitos moradores ricos em Manhattan, mas quem lhes presta serviços tende a viver nos outros "boroughs" (distritos) da cidade.

Sem transporte público, e com a possibilidade de que pontes e túneis sejam fechados para os veículos particulares, essas duas populações ficarão isoladas, sabe-se lá por quanto tempo.

"Preciso que meus empregados cheguem às suas casas em segurança", disse Gale Shim, dono de uma loja de alimentos saudáveis. Ele decidiu ficar na loja para enfrentar a situação, depois de passar a semana ouvindo os alertas de ventos de 120 km/h. Seu consolo é ter seguro contra a perda de alimentos, mas ele está preocupado com o risco de inundação no estabelecimento.

Preocupações como essa se repetem em toda a cidade, mas os novaiorquinos --que enfrentaram aos atentados de 11 de setembro de 2001, um apagão em 2003 e o furacão Irene, no ano passado-- não se abalam por qualquer coisa. Alguns fazem questão de ser do contra.

Enquanto muita gente estoca água e comida, Chris Conway, de 41 anos, se gabava de descrever o conteúdo da sua geladeira: "Quatro diferentes tipos de Tabasco e um pote de molho para bife A-1".

Muitos estabelecimentos também ousaram permanecer abertos, como é o caso da Walgreens, loja 24 horas em Manhattan. O gerente Clarence Ricketts reservou um espaço com colchões de ar --vendidos na própria loja-- para acomodar os empregados.

E um tipo de comércio está definitivamente satisfeito com a tempestade: os bares.

No domingo, o Corner Bistro, no centro de Manhattan, estava lotado. O local já havia encarado o furacão Irene, e, durante o apagão de 2003, um gerente que tentou fechar as portas acabou sendo demitido.

"O Bistro só fecha nos dias de Ação de Graças e Natal, e olhe lá", disse o balconista Jeff Sheehan.

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