'Nunca soube que Bin Laden era terrorista', diz ex-motorista

No tribunal, Salim Hamdan afirma que ficou 'chocado' quando descobriu que chefe estava por trás do 11/9

Agências internacionais,

07 de agosto de 2008 | 16h15

Em uma corte militar, o ex-motorista de Osama bin Laden disse nesta quinta-feira, 7, que nunca suspeitou que seu chefe fosse terrorista até os ataques de 11 de setembro, segundo a rede CNN. Salim Hamdan deu o depoimento com a ajuda de um tradutor um dia após ser condenado por apoio material ao terrorismo, no primeiro veredicto de um detento da prisão de Guantánamo desde que ela foi criada, em 2002.   Veja também: Acusação pede 30 anos de prisão para Hamdan    Ele tentou defender perante o júri que era apenas um simples motorista, e descreveu seu relacionamento com Bin Laden como "normal". Semi-analfabeto, Hamdan disse que tratava o líder da Al-Qaeda da forma como um empregado trata um chefe. Bin Laden, por sua vez, também levava em conta sua posição de motorista, afirmou Hamdan, de acordo com a CNN.   "Eu respeitava ele, e ele me respeitava", declarou o detento, de 37 anos, que está preso em Guantánamo desde 2002. Sua sentença ainda não foi declarada, mas a promotoria pediu nesta quinta que sua pena não seja menor do que 30 anos de detenção.   O iemenita disse que ficou "chocado" quando soube que a Al-Qaeda realizou os atentados de 11 de setembro, em Nova York, Washington e Pensilvânia. "Era impossível em minha mente (saber) que Osama bin Laden estaria por trás disso", declarou Hamdan, que na época dos ataques trabalhava para o terrorista.   "Minha visão mudou completamente. Foi um grande choque para mim saber que alguém que te tratava com respeito e consideração, e então você percebe até onde eles poderiam chegar", continuou o preso, segundo a CNN.   Seu julgamento abre caminho para que as comissões militares julguem até 80 presos de Guantánamo. Acusações já foram apresentadas contra outros 19 detentos.   Críticos afirmam que Hamdan, capturado no Afeganistão em novembro de 2001, não tinha um papel importante na organização terrorista e foi usado como cobaia para testar o funcionamento das comissões militares. Os promotores denunciaram que o iemenita fazia parte da cúpula da Al-Qaeda, mas os advogados de defesa argumentaram que ele era apenas um homem com pouco estudo.   Tribunais militares   A comissão militar, ou tribunal militar, é composta por entre cinco e 12 oficiais das Forças Armadas americanas. No entanto, nos casos em que se busca a pena de morte, a comissão deve ter pelo menos 12. Um juiz militar preside as audiências.   Para obter a condenação, é necessário o voto favorável de pelo menos dois terços dos membros da comissão. Para a pena de morte, que pode ser buscada nos casos em que as ações do réu resultaram em mortes, todos os 12 membros da comissão precisam concordar com a sentença. A decisão final de aplicar a pena de morte será tomada pelo presidente dos Estados Unidos.   Caso seja condenado, um réu pode apelar a uma corte de revisão da Comissão Militar e então à Corte de Apelações dos Estados Unidos, que é civil. A partir daí, também é possível apelar à própria Suprema Corte americana.   Em uma tentativa de atrasar seu processo, Hamdan fez um apelo a um juiz federal de primeira instância antes do início de seu julgamento. No entanto, em 17 de julho, o juiz James Robertson rejeitou o pedido do detento, sob o argumento de que a lei somente permite apelações depois de um julgamento.    

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