Obama acha positivo que Brasil fale com Irã, diz embaixador

Americano concorda com a tese de Lula de que não é produtivo isolar o presidente Mahmoud Ahmadinejad

Nalu Fernandes, Agência Estado

25 de setembro de 2009 | 14h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversaram rapidamente na manhã desta sexta-feira sobre o Irã, afirmou o embaixador do Brasil nos EUA, Antonio Patriota.

 

"Em essência, ele (Obama) disse que acha bom, ou positivo, que o Brasil converse com o Irã. Ele concordou com a tese do presidente Lula de que não é produtivo isolar o Irã e deixar que fale apenas com um punhado de países", afirmou para jornalistas, no Centro de Convenções David L. Lawrence, em Pittsburgh, onde acontece o encontro de cúpula do G-20.

 

O embaixador relata que o norte-americano sabia que Lula tinha estado com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em Nova York, e resolveu comunicar para Lula a preocupação sobre uma declaração feita nesta manhã, em Pittsburgh. Nesta sexta-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que Teerã informou à entidade que está construindo uma segunda usina para enriquecimento de urânio.

 

Antes do início do encontro de cúpula do G-20, em anúncio conjunto, o presidente Obama, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, acusaram o Irã de construir uma usina nuclear secreta, escondendo o fato da comunidade internacional. Segundo o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, a iniciativa da conversa partiu do presidente Obama.

 

A partir da avaliação de Obama de que são positivas as conversas entre Brasil e Irã, no entanto, o embaixador brasileiro acredita que os EUA estão tentando "estabelecer canais com os iranianos". Essa atitude, continua Patriota, revela uma postura que pode ser vista como cumprimento de promessas de campanha do presidente Obama em 2008.

 

O diplomata cita que os norte-americanos estão dispostos a começar a conversar com o Irã em 1º de outubro, quando haverá uma "reunião do Irã e dos cinco membros permanentes (do Conselho de Segurança da ONU) mais a Alemanha". A reunião, possivelmente, será na Turquia, onde acontecerá o encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Istambul.

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