Charles Dharapak/AP
Charles Dharapak/AP

Obama admite que reforma da saúde pode 'morrer'

Presidente cai em pessimismo durante discurso ao reconhecer a possível derrota de seu projeto

Associated Press,

05 de fevereiro de 2010 | 19h12

Depois de insistir por um ano que a derrota não era uma opção, o presidente Barack Obama reconheceu que sua reforma na saúde pode 'morrer' no Congresso dos Estados Unidos.

 

Um ano de Obama:

linkBalanço: Expectativas altas prejudicam 1º ano

linkEconomia: Recuperação não é consenso

linkEntrevista: Crescimento será menor, diz Nobel

blog Patrícia C. Mello: Do messiânico ao prosaico

especial Especial: Dez momentos do primeiro ano 

documento Artigo: Falta ação concreta a Obama

 

Seu tom em um discurso no Comitê Nacional Democrata na noite desta quinta-feira, 4, caiu por vezes no pessimismo. Mesmo quando disse que ainda queria ver a reforma feita, Obama se voltou para novas realidades políticas.

 

Os democratas não comandam mais uma supermaioria no Senado, e eleitores e legisladores estão muito mais preocupados com o desemprego e com a economia do que com caras e complexas mudanças no sistema de saúde.

 

A mudança na legislação da saúde para estender a cobertura médica para mais de 30 milhões americanos sem seguro passou nas duas câmaras do Congresso no ano passado, e estava prestes a ser aprovada no Senado quando o republicano Soctt Brown saiu vitorioso nas eleições especiais para o Senado de Massachusetts no mês passado. Brown assumiu nesta quinta-feira, dando aos republicanos 41 votos na casa, o suficiente para bloquear as iniciativas das 59 cadeiras democratas.

 

Agora a reforma da saúde está no limbo. Legisladores estão procurando orientação de Obama, mas o presidente não ofereceu detalhes sobre a reforma publicamente. Seus sinais são confusos. No evento democrata, ele disse que republicanos deveriam fazer parte do processo - algo no qual seus opositores demonstraram pouco interesse e que pouco provavelmente desencadearia um esforço legislativo que muitos democratas querem acabar rapidamente.

 

"Eu acho que é muito importante para nós termos um processo metódico e aberto ao longo das próximas semanas, e depois vamos seguir em frente e fazer uma decisão", disse Obama na noite de quinta.

 

"E pode ser que...se o Congresso decidir que nós não vamos fazer isso, mesmo depois de todos os fatos terem sido estabelecidos e todas as opções estarem claras, o povo americano julgue se esse Congresso fez a coisa certa para eles ou não", disse o presidente. "E é assim que a democracia funciona. Haverá eleições e eles (o povo) serão capazes de fazer uma determinação e registrar suas preocupações de um jeito ou de outro na hora da eleição."

 

"Aqui está a chave, para não deixar o momento escapar," finalizou Obama.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.