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Obama admite transferir presos de Guantánamo para os EUA

Presidente defende o fim da detenção e afirma que suspeitos de terror ficarão em prisões de segurança máxima

Reuters, Efe e Associated Press,

21 de maio de 2009 | 11h57

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira, 21, que alguns dos suspeitos de terrorismo detidos na base naval de Guantánamo podem ser transferidos para prisões de segurança máxima em território americano ou julgados por cortes civis. Em seu discurso sobre a segurança nacional, Obama disse ainda que alguns suspeitos poderão ser julgados em cortes civis no país, mas ressaltou que não permitirá que nenhum detento coloque em perigo o povo americano e que já foram identificados 50 presos que podem ser transferidos para países estrangeiros.

 

Obama defendeu sua decisão de fechar a prisão de Guantánamo, qualificando o local como "uma bagunça". Segundo o presidente, a própria existência da prisão em território cubano compromete a segurança nacional norte-americana e serve como um posto de recrutamento para a rede da Al-Qaeda. Obama argumentou que aproximadamente 500 detentos já foram libertados pela administração George W. Bush. O presidente afirmou que manter a prisão é um revés para a "autoridade moral que é a maior moeda da América no mundo". "O problema sobre o que fazer com os detentos de Guantánamo não foi causado pela minha decisão de fechar o local; o problema existe, primeiramente, por causa da decisão de abrir Guantánamo".

 

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Obama falou a uma plateia de advogados militares, em um hall do Arquivo Nacional, diante de um display da Constituição, da Carta de Direitos e da Declaração de Independência dos EUA. Para ele, os EUA saíram do caminho certo na luta contra o terrorismo durante a presidência de George W. Bush, afirmando que essas políticas não foram efetivas e não são sustentáveis. "As decisões que foram tomadas durante os últimos anos se basearam em um enfoque legal improvisado para lutar contra o terrorismo que não era efetivo nem sustentável", disse Obama. Segundo ele, após os atentados de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York, o governo americano tomou uma série de decisões "apressadas", mas considerou que foram baseadas em um "sincero desejo" de proteger o povo americano.

 

Em seu discurso, Obama mostrou as linhas gerais de seu plano para desmantelar Guantánamo, onde permanecem 240 homens. O presidente americano disse que transferirá alguns deles para prisões de máxima segurança nos Estados Unidos e os julgará nos tribunais federais ou nos tribunais antiterroristas especiais criados em Guantánamo pelo governo de George W. Bush, com uma mudança nas normas que dê mais direitos aos acusados.

 

Obama anunciou também que seu governo determinou que 50 detidos podem ser enviados "com segurança" para outros países, e está negociando com as nações a transferência. Por último, disse que há um grupo de presos que "não podem ser julgados por crimes, mas que representam uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos". Obama mencionou a possibilidade de mantê-los em detenção "prolongada" para evitar que realizem "atos de guerra", mas prometeu que haveria um sistema de supervisão judicial e legislativa.

 

Na quarta-feira, o Senado votou de forma majoritária contra dar ao presidente os US$ 80 milhões que tinha solicitado para a fechar a prisão de Guantánamo, até que apresente um plano detalhado de como pretende fazer isso. A Câmara de Representantes tinha se manifestado no mesmo sentido na semana passada. A derrota na Legislatura ocorreu devido à resistência dos líderes democratas em aceitar o envio a seus distritos de detidos de Guantánamo, para serem presos ou libertados. Os republicanos advertiram aos americanos que Obama quer mandar terroristas para seu bairro, um comentário que o presidente pareceu rechaçar hoje quando criticou os discursos "para assustar as pessoas, em vez de informá-las"

 

Obama lembrou que, desde sua chegada à Casa Branca, no final de janeiro, já adotou várias medidas para proteger o povo americano, como a proibição de técnicas de interrogação abusivas. "Sei que alguns sustentaram que métodos brutais como a asfixia simulada são necessários para nos manter seguros. Discordo completamente", insistiu, afirmando que existem técnicas mais eficientes e adequadas.

 

Abusos da Era Bush

 

Obama rechaçou a possibilidade de abrir uma investigação independente sobre os metidos implementados sobre o governo Bush contra o terrorismo. "Me oponho à criação de tal comissão porque acredito que nossas instituições democráticas são suficientemente fortes para essa responsabilidade". "O Congresso pode investigar violações de nossos valores, e atualmente há investigações em curso sobre temas como as técnicas de interrogatórios". "O Departamento de Justiça e nossos tribunais podem se ocupar disso e castigar qualquer violação de nossas leis", afirmou.

 

No discurso, Obama defendeu ainda a decisão de não permitir a divulgação de novas fotos de abuso de presos no Iraque e no Afeganistão cometidos por americanos. Segundo ele, sua obrigação é proteger os soldados do país que estão servindo nos dois frontes de guerra, e liberar a distribuição das imagens poderia inflamar a opinião antiamericana.

 

Matéria atualizada às 12h40.

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