Obama alerta Gaddafi que EUA vão agir para frear violência

O presidente norte-americano, Barack Obama, impôs na sexta-feira um ultimato a Muammar Gaddafi -- ou acata as exigências da ONU e para de usar a violência contra os rebeldes, ou enfrentará uma ação militar estrangeira, o que no caso dos Estados Unidos implica um arriscado envolvimento direto na turbulência líbia.

ANDREW QUINN E MARK HOSENBALL, REUTERS

18 de março de 2011 | 19h31

Um dia depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas ter autorizado o uso da força para conter as tropas de Gaddafi, Obama prometeu que não enviará tropas terrestres para a Líbia e que se aterá ao objetivo explicitado na resolução, de "proteger especificamente os civis."

Mas Obama insistiu que Gaddafi deverá deixar o poder, que ocupa há 41 anos, e retirar suas tropas do leste da Líbia, onde os rebeldes agora estão acuados na cidade de Benghazi e alguns outros redutos.

"Todos os ataques contra todos os civis devem parar", disse Obama nas suas primeiras declarações públicas sobre a crise desde que o Conselho de Segurança aprovou a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia e outras medidas.

"Esses termos não estão sujeitos a negociação. Se Gaddafi não cumprir a resolução, a comunidade internacional vai impor consequências", afirmou Obama, acrescentando que o regime líbio também deve retomar o abastecimento de gás, água e energia para as cidades rebeldes.

Em entrevista à rede CNN, a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, disse que Gaddafi, cujas forças têm avançado em direção a Benghazi, estava violando a resolução da ONU aprovada na véspera.

Parlamentares e estrategistas militares dos EUA expressavam profundas restrições a um envolvimento militar na Líbia, mas Obama argumentou que tem o dever de evitar atrocidades, e que a ofensiva do regime contra os rebeldes pode desestabilizar toda a região do Norte da África e Oriente Médio.

"Os Estados Unidos não procuraram este resultado. As nossas decisões têm sido impulsionadas pela recusa de Gaddafi em respeitar os direitos do seu povo, e pelo potencial assassinato em massa de civis inocentes", afirmou o presidente.

Ele ressaltou também que os EUA estão colaborando com seus principais parceiros europeus e com governos árabes para afastar os temores de que Washington embarcaria em uma nova aventura militar sem o apoio adequado.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, irá no sábado a Paris para participar de uma reunião internacional sobre a situação na Líbia.

Anteriormente, Hillary havia dito que o objetivo imediato era impedir a violência contra civis, mas que em longo prazo a meta deveria ser a deposição de Gaddafi.

GUINADA AMERICANA

As declarações de Obama foram feitas após uma reunião a portas fechadas com líderes parlamentares importantes. Após semanas de muito debate dentro do governo, os EUA passaram a endurecer sua postura contra o regime líbio, o que levou à aprovação da resolução da ONU na quinta-feira.

Uma fonte europeia de segurança disse que o novo cenário começou a se delinear na segunda-feira, numa reunião na Casa Branca entre Obama e seus principais assessores de segurança nacional.

Até então, as discussões na comunidade internacional envolviam principalmente a imposição de uma zona de exclusão aérea para impedir Gaddafi de usar sua aviação contra os rebeldes.

Depois da reunião de segunda-feira, Washington começou a falar também em uma "exclusão terrestre", proibindo o avanço das tropas líbias para os redutos rebeldes.

Na quarta-feira, diante da iminente vitória de Gaddafi sobre os rebeldes, os EUA abandonaram suas restrições à zona de exclusão aérea e passaram a apoiar a resolução da ONU.

O Pentágono disse estar pronto para agir, mas não citou detalhes dos preparativos. Fontes oficiais informaram que os EUA pretendem levar mais navios anfíbios para o Mediterrâneo.

Uma fonte de segurança nacional dos EUA disse que os comandantes militares demonstravam enormes receios em se envolverem na Líbia, num momento em que as forças norte-americanas tentam se distanciar dos conflitos no Iraque e no Afeganistão.

Segundo essa fonte, os comandantes perguntavam a Obama o que "ele queria com isso", mas não obtiveram uma resposta clara.

(Reportagem adicional de Steve Holland, Caren Bohan, Patricia Zengerle e Missy Ryan)

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