Obama almoça com republicanos para aparar arestas e discutir ideias

Os republicanos vitoriosos nas eleições legislativas de terça-feira dividiram o pão com o presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, nesta sexta-feira. No menu, além de robalo, tentou-se digerir as desavenças amargas entre os dois lados sobre o programa de saúde do governo e a imigração, além de discutir se é possível aprovar leis de peso nos dois próximos anos.

ROBERTA RAM, REUTERS

07 de novembro de 2014 | 21h33

Durante o almoço de duas horas em uma pequena sala particular, Obama ficou entre o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, e o senador democrata Harry Reid, que deixará de ser o líder da maioria no Senado depois que uma onda de apoio ao partido rival tirou muitos democratas do poder.

Ao lado de Reid estava o senador republicano Mitch McConnell, cuja legenda assume o controle do Senado em janeiro.

“Os republicanos tiveram uma boa noite”, admitiu Obama a repórteres, mas disse ter garantido a Boehner e McConnell estar aberto a boas propostas legislativas, sejam de democratas ou republicanos.

“O povo norte-americano só quer nos ver trabalhando”, afirmou Obama. “Acho que estão frustrados com este impasse. Gostariam de ver mais cooperação. Acho que todos nós temos a responsabilidade, eu em particular, de tentar fazer isso dar certo”, afirmou Obama, cujo segundo e último mandato de quatro anos termina em janeiro de 2017.

Após o encontro, os líderes saíram por uma porta lateral da Casa Branca e não falaram com a imprensa.

PATO MANCO

A primeira parte da reunião desta sexta-feira foi dedicada a alguns projetos de lei importantes que precisam ser aprovados de imediato assim que o Congresso iniciar sua “sessão do pato manco” pós-eleição na quarta-feira.

A expressão “pato manco” se refere a presidentes em fim de mandato praticamente impedidos de agir por uma oposição fortalecida.

Será o “velho” Congresso, aquele que encerra sua sessão legislativa em meados de dezembro e tem um Senado democrata confrontando uma Câmara dos Deputados republicana, que precisa produzir os projetos de lei.

No topo da lista está uma proposta de financiamento de 1 trilhão de dólares para manter o governo funcionando depois de 11 de dezembro, quando o financiamento atual acaba.

Obama pediu ao general Lloyd Austin, chefe do Comando Central dos EUA, que atualizasse os líderes a respeito da luta contra os militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Pouco depois do encontro, a Casa Branca anunciou que Obama autorizou o envio de mais 1.500 soldados para ajudar a treinar e assessorar forças iraquianas e curdas, elevando para 3.100 o total de tropas no local.

Obama está solicitando 5,6 bilhões de dólares adicionais ao Congresso para operações no Iraque e na Síria, incluindo 1,6 bilhão para o novo destacamento.

Ele ainda pediu mais de 6,1 bilhões de dólares em fundos emergenciais para combater o surto de Ebola na África Ocidental e para garantir que os hospitais dos EUA estejam preparados para lidar com novos casos da doença.

A segunda parte da reunião tratou de propostas legislativas para a economia que poderiam encontrar consenso entre as partes.

Obama declarou querer se concentrar em ideias para fortalecer o setor manufatureiro e as exportações e investir em projetos de infraestrutura e na educação infantil.

(Reportagem adicional de Roberta Rampton, David Lawder e Patricia Zengerle)

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