Obama anula restrições de Bush às pesquisas com células-tronco

Institutos vão poder decidir se é ético e legal arcar com as despesas deste tipo de pesquisa nos Estados Unidos

MAGGIE FOX, REUTERS

09 de março de 2009 | 09h11

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve suspendar as restrições ao uso de verbas federais em pesquisas com células-tronco embrionárias. Nesta segunda-feira, 9, Obama dará aos Institutos Nacionais de Saúde quatro meses para apresentarem novas regras sobre o assunto. De acordo com o consultor científico Harold Varmus, Obama não apresentará diretrizes, delegando às instituições a tarefa de decidir se é ético e legal arcar com as despesas com tais pesquisas.   Veja também:  Entenda o uso das células-tronco Pesquisadores e ativistas foram convidados para a cerimônia na Casa Branca em que Obama fará o anúncio, segundo Melody Barnes, que dirige o conselho de políticas domésticas de Obama. O presidente também assinará uma promessa de "restaurar a integridade científica na tomada de decisões federais". "Ele acredita que, ao assiná-lo, irá continuar cumprindo as promessas que fez ao longo de mais de 20 meses de campanha", disse Barnes a jornalistas numa teleconferência. "E o presidente acredita que é particularmente importante assinar este memorando para que possamos colocar a ciência e a tecnologia de volta no coração da obtenção de uma ampla gama de metas nacionais." O ex-presidente George W. Bush era acusado por cientistas e políticos de permitir que a política e às vezes a religião interferissem nas decisões científicas relacionadas não só às células-tronco, mas também à mudança climática, à política energética e à política de planejamento familiar. Barnes disse que a eliminação das restrições ao uso de verbas públicas para as pesquisas com células-tronco, impostas no governo Bush, ajudará a criar empregos e fortalecer a segurança nacional. De acordo com Varmus, Obama dará aos institutos 120 dias para apresentar um marco que regule o uso de verbas federais nas pesquisas.   PolêmicaGrupos religiosos conservadores condenam as pesquisas que levam à destruição de embriões, por verem nisso uma prática afim ao aborto. Os cientistas dizem que tais pesquisas podem levar à cura de inúmeras doenças degenerativas. Normalmente, os embriões usados nas pesquisas são descartados em clínicas de fertilização. Há pesquisas com células-tronco de origem não-embrionária, mas ao menos por enquanto os cientistas consideram que os embriões são uma vertente mais promissora do trabalho. "O presidente, na prática, está autorizando verbas federais para a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas na medida em que isso é permitido por lei", disse Varmus, ex-diretor dos Institutos Nacionais de Saúde e também presidente do Centro Memorial Sloan-Kettering do Câncer, em Nova York, e consultor de Obama. "Não haverá tentativa explícita para redigir quais serão tais diretrizes", disse Varmus. (Reportagem adicional de Caren Bohan)

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