Julie Jacobson/AP - 01/12/2009
Julie Jacobson/AP - 01/12/2009

Obama anuncia 30 mil novos soldados para o Afeganistão

EUA terão cerca de 100 mil homens no país; a retirada das tropas se inicia em julho de 2011

Gustavo Chacra, correspondente,

01 de dezembro de 2009 | 23h41

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que enviará 30 mil soldados adicionais para o Afeganistão a partir do início de 2010. Em discurso realizado na academia militar de West Point na noite desta terça-feira, 1, o líder americano acrescentou que pretende iniciar a retirada destas tropas em julho de 2011 - antes, portanto, das próximas eleições presidenciais, em 2012.

 

Com o envio dos soldados, os EUA terão cerca de 100 mil homens lutando contra a rede terrorista Al-Qaeda e os militantes do Taleban no Afeganistão em um conflito que já dura oito anos. A decisão de Obama ocorre após mais de três meses de discussões com as principais autoridades da área de segurança do seu governo.

 

"As 30 mil tropas adicionais que eu estou anunciando nesta noite serão mobilizadas na primeira parte de 2010 no ritmo mais rápido possível. Desta forma, poderemos atingir os insurgentes e garantir a segurança dos principais centros populacionais", disse o presidente. Segundo Obama, os militares "aumentarão a nossa habilidade de treinar uma competente força de segurança do Afeganistão".

 

O líder americano acrescentou que, "depois de 18 meses, estas tropas começarão a voltar para a casa" e que os afegão devem ser os responsáveis pelo seu próprio destino, apesar do prosseguimento da assistência dos EUA depois da retirada.

 

O total de soldados enviados é inferior aos 40 mil pedidos pelo comandante das forças americanas no Afeganistão, general Stanley McChrystal. Para alcançar este número, Obama espera contar com a adição de militares de outros países integrantes da Otan.

 

A estratégia da atual administração se assemelha à de George W. Bush no Iraque, quando o ex-presidente incrementou o número de militares e fez acordos com líderes tribais sunitas que deixaram a insurgência para colaborar com os EUA.

 

A aceleração no processo do envio dos soldados e o custo todo do aumento das tropas são os pontos mais polêmicos da decisão de Obama. Autoridades do Pentágono diziam ontem que será complicado realizar a mobilização de tantos soldados neste prazo. O custo do envio dos novos soldados deve ficar em até US$ 30 bilhões, disse Obama no discurso.

 

Além das tropas adicionais, os EUA também tentam convencer aliados da Otan a contribuírem com mais militares para o conflito. "Queremos contribuições dos nossos aliados", disse Obama no discurso de ontem. O problema é que nos países europeus a guerra no Afeganistão é bem mais impopular do que nos EUA. A estratégia foi informada por Obama diretamente para o presidente afegão, Hamid Karzai, durante conversa de mais de uma hora e meia ontem. Os EUA também pretendem intensificar a cooperação econômica e militar com o Paquistão. No seu discurso, Obama alertou para o risco de a Al-Qaeda tentar se apropriar das armas nucleares paquistanesas.

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