Obama anuncia acordo tributário com republicanos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na segunda-feira um acordo que prorroga durante dois anos os benefícios tributários do governo do ex-presidente George W. Bush, numa concessão ao Partido Republicano depois da expressiva vitória da oposição nas eleições parlamentares do mês passado.

MATT S, REUTERS

07 de dezembro de 2010 | 08h45

Após se reunir com líderes democratas na Casa Branca, Obama anunciou um "acordo-marco" com os republicanos, pelo qual a renovação do benefício tributário valeria não só para a classe média - como o governo pretendia -, mas também para norte-americanos mais ricos, o que era o desejo dos republicanos.

Alguns democratas liberais devem se opor à proposta, por considerarem que Obama está cedendo à oposição sem conseguir o suficiente em troca. Dependendo do tamanho da revolta democrata, Obama pode precisar de apoio dos republicanos para aprovar a medida.

O pacote também prorroga os benefícios fiscais sobre dividendos acionários e ganhos de capital, reduz em 2 por cento o imposto sobre a folha de pagamento e, num gesto destinado a contentar os democratas, mantém durante 13 meses os benefícios a desempregados.

Mas Obama concordou com as propostas republicanas a respeito de um imposto imobiliário federal, que ficará limitado a 35 por cento e com uma isenção individual de 5 milhões de dólares - o que Obama admitiu ser mais generoso do que consideraria "sábio ou justificado".

"Não podemos brincar de política numa hora em que o povo norte-americano se volta para nós para resolvermos os problemas", disse Obama a jornalistas. "Estou confiante em que afinal o Congresso irá fazer a coisa certa."

Obama disse ter feito algumas concessões por causa da necessidade urgente de chegar a um acordo antes do recesso parlamentar deste mês, evitando assim que a classe média precise pagar mais impostos quando expirar o atual pacote da era Bush, em 31 de dezembro.

"Não tenho dúvidas de que todos encontrarão algo neste acordo de que não gostam", disse Obama. "Na verdade, há coisas aqui de que eu não gosto - a saber, a prorrogação dos cortes tributários para os norte-americanos mais ricos e para as propriedades mais ricas. Mas esses cortes tributários vão expirar em dois anos."

A prorrogação dos benefícios fiscais custará ao governo 501 bilhões de dólares, segundo o departamento orçamentário do Congresso, num momento em que o déficit público dos EUA chega a 1,3 trilhão de dólares.

Muitos democratas queriam limitar os benefícios tributários aos norte-americanos com renda anual até 200 mil dólares. Os republicanos diziam que beneficiar também os mais ricos teria efeitos mais amplos no estímulo à economia.

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