Obama anuncia fim da missão de combate no Iraque em 2010

Presidente confirma que grupo de até 50 mil soldados permanece no país até 2011 como 'força de transição'

Agências internacionais,

27 de fevereiro de 2009 | 14h08

Foto: AP   CAMP LEJEUNE - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira, 27, que a missão de combate do Exército de seu país no Iraque terminará em 31 de agosto de 2010, mas, depois disso, entre 35 mil e 50 mil soldados americanos - chamados pelo presidente de "forças de transição" -permanecerão em solo iraquiano até o fim de 2011 executando missões mais limitadas. Obama, que se opunha à invasão do Iraque, retirará as tropas de combate pouco depois do prazo que havia prometido durante a campanha para a presidência dos Estados Unidos.   Veja também: Conheça o plano para a retirada do Iraque Especial: Guerra do Iraque, do início ao início do fim    Os EUA mantêm atualmente mais de 140 mil soldados envolvidos numa guerra que dividiu a opinião pública americana e arranhou profundamente a imagem de Washington mundo afora. Em um discurso realizado em Camp Lejeune, uma base da Marinha na Carolina do Norte, Obama advertiu que o Iraque ainda não é um país seguro e haverá dias difíceis pela frente. Também apontou que a queda no preço internacional do petróleo traz dificuldades para o governo iraquiano. Para Obama, a maior prioridade do governo americano é a segurança dos militares dos EUA no Iraque e dos civis iraquianos.   Segundo Obama, o objetivo é não ter mais nenhum soldado americano no Iraque até 31 de dezembro de 2011, mesmo prazo de um acordo assinado no ano passado entre o então presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki. Segundo o porta-voz do presidente, Bush e Maliki foram comunicados dos planos para o Iraque - o ex-presidente num gesto de cortesia.   Em seu pronunciamento, Obama disse aos iraquianos que os Estados Unidos não planejam ter poder sobre seu território, na tentativa de acalmar os iraquianos preocupados com uma presença prolongada do Exército norte-americano no país. O presidente usou parte do discurso para falar diretamente aos iraquianos. "Os Estados Unidos não querem tomar seu território nem seus recursos. Nós respeitamos sua soberania e os tremendos sacrifícios que vocês fizeram por seu país. Queremos uma transição completa para que o Iraque tenha a responsabilidade pela segurança de seu país", disse.   O presidente disse ainda que o futuro iraquiano está ligado ao do Oriente Médio, e por isso os EUA desenvolverão uma aproximação "sustentada e guiada por princípios" com todos os países no Oriente Médio, "incluindo Irã e Síria", considerados inimigos americanos. "Não podemos enfrentar os desafios regionais de maneira isolada, precisamos de uma estratégia mais sensata, mais sustentada e exaustiva".   O principal negociador do governo Bush pelo fim do programa nuclear da Coréia do Norte, Christopher Hill, foi o escolhido para ser o novo embaixador americano no Iraque, segundo confirmou Obama. O presidente afirmou que Hill demonstrou "pragmatismo e habilidades" que são necessárias no Iraque agora. Hill ainda foi negociador nas crises na Bósnia e em Kosovo.   O estabelecimento de uma data para a retirada representa um ponto crítico da guerra. A decisão de Obama também se encaixa em sua intenção de mudar o foco militar dos Estados Unidos para o Afeganistão e cortar o déficit orçamentário, em parte reduzindo os gastos com guerras. Alguns democratas questionaram o tamanho e a missão das forças residuais que Obama pretende deixar no Iraque. Mas o secretário de Defesa, Robert Gates, diz que "o raciocínio é que qualquer força remanescente após nós pararmos as operações de combate estará focada na missão de contraterrorismo, treinamento, aconselhamento, assistência, e esse tipo de coisa".   Matéria atualizada às 15h40.

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