Obama anuncia nova ‘guerra ao terror’ que inclui ataques a radicais na Síria

Presidente americano traça as linhas gerais do combate ao grupo Estado Islâmico; envio de tropas, por enquanto, está descartado

O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2014 | 22h30

(Atualizada às 23h35) WASHINGTON - Na véspera do 13.º aniversário dos atentados de 11 de Setembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, traçou nesta quarta-feira, 10, em discurso pela TV as linhas gerais do plano para uma nova “guerra ao terror”, desta vez contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), que controla grandes áreas no Iraque e na Síria.

“Caçaremos os terroristas que ameaçam nosso país onde quer que eles estejam”, disse Obama. “Isto significa que não hesitarei em atacar o EI na Síria e no Iraque.” Em discurso feito na Casa Branca, ele prometeu “destruir de uma vez por todas” o grupo militante, mas sem participação de tropas americanas em terra. “Quero que os americanos entendam que esse esforço será diferente das guerras no Iraque e no Afeganistão. Ele não envolverá tropas dos EUA combatendo em solo estrangeiro.”

Obama, que comparou a luta contra o EI na Síria e no Iraque ao combate contra jihadistas na Somália e no Iêmen, disse que a campanha será travada por meio de um esforço incansável e constante para “eliminar o EI” usando poder aéreo e o apoio de forças aliadas em solo. “Este é um princípio fundamental da minha presidência: se você ameaça os EUA, você não vai encontrar nenhum porto seguro”, afirmou o presidente.

Se está disposto a trabalhar com o que chamou de “novo governo iraquiano”, Obama não demonstrou a mesma boa vontade para ajudar o regime de Bashar Assad, na Síria. Em sua estratégia divulgada nesta quarta, ele prometeu intensificar apoio militar à oposição síria e pediu autorização ao Congresso para treinar e armar os militantes que lutam para derrubar o governo de Damasco.

Críticas. Obama, no entanto, recebeu críticas de alguns analistas por incluir no anúncio de sua nova estratégia antiterror os avanços econômicos de seu governo - o que ocorreu na segunda parte do discurso. 

Muitos republicanos, especialmente o senador John McCain, se irritaram também com o reconhecimento tardio do presidente de que é preciso enviar armas e treinar os rebeldes sírios - uma reivindicação antiga da oposição. “Pode ser tarde demais”, disse McCain, após o discurso, em entrevista à rede CNN.

Obama autorizou US$ 25 milhões em “assistência militar imediata” para o governo iraquiano e a administração regional curda com o objetivo de ajudar no treinamento de suas forças militares, de acordo com comunicado da Casa Branca.

Obama, que foi responsável por uma série de ataques aéreos no Iraque, e sua equipe discutiam a possibilidade de ataques semelhantes na Síria. Aviões americanos já estariam realizando voos de reconhecimento e vigilância para identificar possíveis alvos em território sírio.

O presidente autorizou ataques aéreos contra posições do EI no Iraque em 7 de agosto e os bombardeios começaram no dia seguinte. No entanto, uma proposta para treinar e equipar os rebeldes sírios ainda depende de aprovação e financiamento do Congresso.

Antes do pronunciamento, Obama e o vice-presidente Joe Biden se encontraram com membros do Conselho de Segurança Nacional no Salão Oval da Casa Branca. Logo depois, o gabinete do líder da Câmara dos Deputados, o republicano John Bohner, disse que apoiaria “certas propostas do presidente, como aumentar a eficiência das forças de segurança iraquianas e treinar e equipar a oposição síria”.

Diplomacia. Os secretários de Estado e Defesa americanos estão no Oriente Médio alinhando parcerias com os aliados na região para participar ou colaborar com a coalizão internacional para derrotar o EI. No discurso, Obama mencionou mais de uma vez que os EUA não estavam “sozinhos” na ação militar e teriam apoio de aliados para realizar missões aéreas e enviar ajuda para os iraquianos. / AP e NYT

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