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Obama apela à unidade e diz que EUA nunca estarão em guerra com o islã

Não fomos atacados por um religião, e sim pela Al-Qaeda, disse o presidente dos Estados Unidos

EFE, EFE

11 de setembro de 2010 | 14h35

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou o nono aniversário dos ataques de 11 de setembro para reivindicar a unidade do país e assegurar que, apesar da polarização dos últimos dias, a nação "nunca estará em guerra com o islã".

 

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O aniversário dos ataques ocorridos em 2001, tradicionalmente sereno e reflexivo, foi precedido este ano pela polêmica ameaça do pastor radical Terry Jones, que queria queimar exemplares do Alcorão, e pelo controvertido projeto de construção de uma mesquita junto ao local dos atentados contra Nova York, que polarizou o país.

 

Obama rejeitou hoje que o aniversário dos ataques sirva para promover a intolerância religiosa, e afirmou que seu país "não está nem nunca estará em guerra com o Islã".

 

"Não foi uma religião que nos atacou aquele dia, há nove anos, foi a Al-Qaeda", disse Obama em um ato no Pentágono, onde se chocou um dos aviões sequestrados, o 77 da American Airlines, causando a morte de 184 pessoas.

 

"Nós condenamos a intolerância e o extremismo no mundo todo, e defendemos os direitos fundamentais de todos os homens e mulheres, inclusive o direito a praticar livremente sua religião", disse o presidente americano, em um dia no qual estavam previstos protestos em Nova York contra a construção de uma mesquita nas proximidades de onde se localizavam as Torres Gêmeas.

 

Obama reconheceu que há pessoas que querem aproveitar a dor pelos ataques do 11 de Setembro "para estender o ódio e criar divisões", mas "nós não sacrificaremos as liberdades que abraçamos".

Horas antes, em seu tradicional discurso radiofônico dos sábados, Obama reconheceu que "o país atravessa um momento difícil", que algumas pessoas estão aproveitando para "alimentar a amargura, para nos dividir com base em nossas diferenças, para fazer com que esqueçamos o que temos em comum".

 

Já na cerimônia do Pentágono, Obama insistiu em que o aniversário do 11 de setembro deve servir para a "reflexão" e para lembrar que é preciso trabalhar pela "unidade" dos americanos.

 

"Como nação, como indivíduos, devemos refletir sobre como rendemos uma melhor homenagem às vítimas dos ataques à nação", afirmou.

"Não devemos olhar muito longe para obter respostas. Os que perpetraram aquele ato, não só atacaram os EUA, atacaram os ideais dos EUA, tudo o que o país representa no mundo", assegurou.

 

"A melhor homenagem que podemos fazer (às vítimas), nossa melhor arma, o que mais temem nossos adversários, é continuar sendo o que somos, renovar nosso propósito comum, continuar defendendo a personalidade de nossa nação", afirmou.

 

Em paralelo a esta cerimônia, o vice-presidente Joe Biden viajou a Nova York para participar da cerimônia realizada no Marco Zero, onde ficavam as Torres Gêmeas.

 

Já a primeira-dama, Michelle Obama, e sua antecessora, Laura Bush, participam de outro ato em Shanksville, na Pensilvânia, onde caiu o quarto avião sequestrado, o Voo 93, no qual estavam 44 pessoas, incluindo os quatro sequestradores.

Emocionadas, as duas primeiras-damas renderam uma homenagem aos passageiros, que derrubaram o avião e impediram que os quatro sequestradores o fizessem chegar a seu destino.

 

"Eles vinham de diferentes caminhos e tinham vidas distintas, mas quando chegou o terrível momento de tomar essa decisão impossível, todos mostraram uma grande coragem. Ligaram para suas casas, explicaram o que fariam e lhes disseram que tudo ia ficar bem", disse Michelle Obama.

 

"Quando chegou o momento agiram em uníssono e mudaram o curso da história. Não sabiam o que iraim a salvar, e mesmo assim decidiram dar sua vida por isso", comentou.

 

Na esplanada onde caiu o Voo 93 começará em breve a construção de um monumento em homenagem às vítimas, que deve estar pronto no próximo ano, no aniversário de 10 anos do atentado.

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