Obama apoia Estado palestino desmilitarizado nas fronteiras de 1967

Presidente americano pede reconhecimento de Israel e diz que paz na região é 'prioridade'

estadão.com.br

19 de maio de 2011 | 13h54

Obama falou sobre a paz no Oriente Médio e as revoltas no mundo árabe

 

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quinta-feira, 19, apoiar a criação de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967 - anterior à Guerra dos Seis Dias - e desmilitarizado. O líder americano também pediu que os palestinos reconheçam o Estado de Israel, "o que é fundamental para a paz no Oriente Médio".

 

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Em seu esperado discurso para o Oriente Médio e o norte da África - onde diversos países árabes vivem revoltas -, Obama falou sobre a paz entre palestinos e israelenses, o que considerou como prioridade, e comentou a situação na Síria, na Líbia e no Iêmen. O americano, porém, deixou de fora a Arábia Saudita, aliado dos EUA na região e considerado um dos governos mais duros do mundo. Não houve qualquer menção ao país ao longo do pronunciamento.

 

O americano ainda criticou a política israelense de seguir com a construção de assentamentos. "O sonho de um Estado judaico democrático não poderá ser alcançado com uma ocupação permanente", disse, acrescentando, porém, que os palestinos precisam reconhecer o direito de Israel de existir.

 

Segundo Obama, o futuro dos EUA "passa pelo Oriente Médio". E em um posicionamento histórico, o presidente disse que apoia a criação de um Estado palestino desmilitarizado nas fronteiras de 1967. Ele novamente pressionou pela retomada das negociações de paz - paralisadas desde setembro de 2010 - e afirmou que "adiar o problema não trará nenhuma solução".

 

Sobre as revoltas no norte da África, Obama foi incisivo. "País a país, o povo exigiu seus direitos. Dois líderes caíram", disse ele, referindo-se a Hosni Mubarak, do Egito, e Zine el Abidine Ben Ali, da Tunísia, derrubados por revoluções populares. "Mais poderá acontecer", continuou, dessa vez falando sobre Iêmen, Síria e Líbia, onde as forças do governo têm reprimido as manifestações contra os regimes.

 

"Os eventos dos últimos seis meses mostram que estratégias de opressão não vão mais funcionar", continuou. Ele mencionou a Líbia como "mais grave exemplo" da repressão e acusou o ditador líbio, Muamar Kadafi, de declarar guerra contra seu próprio povo. Quanto à Síria, Obama disse que o presidente Bashar al-Assad tem a escolha de liderar a transição para a democracia ou deixar o poder. "Caso contrário, ficará isolado", disse.

 

O discurso de Obama marca uma postura mais incisiva do governo americano em relação à Síria e à Líbia, embora países aliados na região, como Arábia Saudita e Bahrein, tenham sido isentados de críticas. Além disso, é a primeira vez que o atual presidente americano apresenta linhas claras sobre a paz que planeja para os conflitos entre israelenses e palestinos.

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