Obama apresenta nova estratégia para o Afeganistão nesta 3ª

Presidente deve confirmar o envio de mais 30 mil soldados e descrever os próximos passos visando a retirada

estadao.com.br,

01 de dezembro de 2009 | 07h45

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anuncia nesta terça-feira, 1, sua nova estratégia para o Afeganistão, incluindo um aumento de tropas, em discurso na academia militar de West Point. Obama estará diante das câmeras a partir das 20h locais (23h de Brasília) para o anúncio.

 

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Segundo informações que circulavam nos EUA, Obama optou por enviar 30 mil soldados adicionais para o Afeganistão, elevando para cerca de 100 mil o total de americanos lutando contra a milícia Taleban e a rede terrorista Al-Qaeda em um conflito que dura mais de oito anos. O presidente deve ainda descrever quais os próximos passos dos EUA. Especula-se que será delineado um processo de retirada, mas sem a definição de um cronograma fixo. Os custos da guerra para os cofres do governo também devem integrar a explicação de Obama.

 

O anúncio da estratégia encerrará mais de dois meses de análise do presidente sobre qual deve ser o destino do conflito. Desde setembro, o general Stanley McCrystall, comandante das forças americanas no Afeganistão, tem defendido que os EUA precisariam de mais 40 mil soldados para obter sucesso no Afeganistão, em uma estratégia similar à utilizado no Iraque. Políticos democratas, incluindo o vice-presidente Joe Biden, discordam e argumentam que o ideal seria reduzir o número de militares americanos no país e lançar ações cirúrgicas contra a Al-Qaeda.

 

O governo dos EUA espera que os aliados internacionais forneçam a diferença entre o pedido pelo general e os reforços ordenados por seu presidente. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, Obama lembrará em seu discurso os motivos para a permanência dos soldados americanos no Afeganistão, e vai reiterar que essa presença, que já entrou em seu nono ano, "não se trata de um compromisso sem fim".

 

A meta dos Estados Unidos no Afeganistão, explicou Gibbs, é "adestrar as forças de segurança afegãs para que combatam uma insurgência popular, fazendo com que os afegãos fiquem a cargo de sua própria segurança".

 

Obama dedicou a segunda-feira a explicar os principais pontos de sua decisão a vários líderes estrangeiros, entre eles o francês Nicolas Sarkozy e o britânico Gordon Brown. Ele já orientou as autoridades de segurança de seu país e de governos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a sua estratégia para a guerra no Afeganistão. Nesta terça, ele se reúne com uma representação do Congresso americano para dar detalhes de sua determinação.

 

O anúncio chega em um momento no qual a guerra é cada vez mais impopular entre a população e o Congresso dos EUA. Após o anúncio de Obama, está previsto que tanto McChrystal como o embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, compareçam em audiências perante o Congresso sobre a situação no Afeganistão.

 

Com a nova estratégia, Obama opta por uma saída próxima ao que pedia o general. Durante a sua campanha, o presidente defendia que os EUA deveriam priorizar o conflito no Afeganistão em detrimento ao do Iraque. O Paquistão também deve ser incluído no discurso de Obama. O governo de Islamabad enfrenta uma grave crise e regiões do país, como o Waziristão do Sul, se transformaram nos novos redutos da Al-Qaeda. Segundo o Washington Post, Obama deve oferecer uma parceria estratégica que incluirá mais cooperação militar e econômica.

 

(Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

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