Obama cita ameaça à segurança e amplia papel dos EUA na luta contra o Ebola

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou nesta terça-feira a epidemia fatal de Ebola na África Ocidental como uma ameaça iminente à segurança mundial e anunciou uma grande expansão do papel dos EUA na tentativa de deter a propagação da doença, incluindo o envio de 3 mil soldados para a região.

JEFF MASON E JAMES HARDING GIAHYUE, REUTERS

16 de setembro de 2014 | 20h43

"A realidade é que a epidemia vai piorar antes de melhorar", disse Obama da sede do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA, em Atlanta.

"Mas agora, o mundo ainda tem a oportunidade de salvar inúmeras vidas. Agora, o mundo tem a responsabilidade de agir, de acelerar e fazer mais. Os Estados Unidos da América têm a intenção de fazer mais", acrescentou Obama.

O plano dos EUA, uma expansão dramática da resposta inicial da semana passada em Washington, ganhou elogios da Organização Mundial da Saúde, de trabalhadores humanitários e funcionários na África Ocidental. Mas especialistas em saúde disseram que ainda não é suficiente para conter a epidemia, que está crescendo rapidamente e causou um colapso dos sistemas locais de saúde sob pressão para combater a doença.

Autoridades norte-americanas disseram que o foco da intervenção militar seria a Libéria, um país fundado por escravos norte-americanos libertos que é o mais atingido dos países afetados pela crise.

O plano de Obama prevê o envio de 3 mil soldados, incluindo engenheiros e médicos; criação de um centro de comando e controle regionais na capital da Libéria, Monróvia; construção de 17 centros de tratamento com 100 leitos cada; e o estabelecimento de um centro de controle militar para coordenar os esforços de ajuda.

"Temos que agir rápido. Nós não podemos hesitar nisso", disse Obama.

A Casa Branca disse que as tropas não serão responsáveis pelo cuidado direto dos pacientes. Obama também disse que as "chances de um surto de Ebola aqui nos Estados Unidos são extremamente baixas."

O pior surto de Ebola desde que a doença foi identificada em 1976 já matou cerca de 2.500 pessoas e está ameaçando se espalhar em toda a África.

SEGURANÇA GLOBAL

Obama disse que se o surto não for interrompido agora, centenas de milhares de pessoas podem se infectar, “com profundas implicações políticas e econômicas e de segurança para todos nós”.

"Esta é uma epidemia que não é apenas uma ameaça para a segurança regional. É uma ameaça potencial para a segurança global, se esses países quebrarem, se suas economias se quebrarem, se as pessoas entrarem em pânico. Isso terá profundos efeitos sobre todos nós, mesmo se não estamos enfrentando diretamente a doença", acrescentou Obama.

A OMS elogiou o plano dos EUA para dar apoio às Nações Unidas e outros parceiros internacionais para ajudar as autoridades da Guiné, Libéria, Serra Leoa, Nigéria e Senegal a conter o surto.

"Este crescente apoio dos Estados Unidos é precisamente o tipo de mudança transformacional de que precisamos para obter um controle sobre o surto e começar a virar o jogo", disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS, em um comunicado.

Mais cedo, um alto funcionário da OMS disse que o surto de Ebola exige uma resposta muito mais rápida para limitar o seu alastramento para dezenas de milhares de casos.

(Reportagem adicional de Tom Miles e Stephanie Nebehay em Genebra, Umaru Fofana em Freetown, Alphonso Toweh, David Lewis, em Dacar, Sharon Begley em Nova York e Roberta Rampton e Susan Heavey, em Washington)

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