Tim Sloan/Reuters
Tim Sloan/Reuters

Obama coloca empregos e bases econômicas como prioridade

Em seu primeiro discurso do Estado da União, presidente americano disse estar confiante no futuro dos EUA

BBC

28 de janeiro de 2010 | 02h15

Em seu primeiro discurso do Estado da União, o presidente Barack Obama disse que a criação de empregos será prioridade de seu governo em 2010 e propôs "novas bases" para a economia americana.

 

Um ano de Obama:

linkBalanço: Expectativas altas prejudicam 1º ano

linkEconomia: Recuperação não é consenso

linkEntrevista: Crescimento será menor, diz Nobel

blog Patrícia C. Mello: Do messiânico ao prosaico

especial Especial: Dez momentos do primeiro ano 

documento Artigo: Falta ação concreta a Obama

Em sessão conjunta no Congresso, transmitida ao vivo pela TV, Obama disse que, apesar de a economia americana estar se recuperando da crise mundial, "a devastação permanece".

"Empregos devem ser nossa prioridade número um em 2010", disse o presidente. "E é por isso que estou propondo a criação de uma nova lei de empregos nesta noite."

Obama propôs que US$ 30 bilhões já devolvidos por grande bancos que receberam ajuda do governo no auge da crise sejam destinados a ajudar pequenos bancos a dar crédito às pequenas empresas e negócios.

O presidente também propôs créditos a pequenas empresas que contratarem novos funcionários ou aumentarem salários, além de incentivos para companhias que investirem em novas fábricas e equipamentos.

As propostas são anunciadas em um momento em que a taxa de desemprego nos EUA chega a 10% e em que o presidente vem perdendo apoio popular.

Muitos americanos estão descontentes com o dinheiro gasto pelo governo para salvar grandes bancos.

Esperança e união

Obama reconheceu que muitos americanos estão "frustrados". No entanto, disse que apesar dos desafios enfrentados pelo país, nunca esteve tão confiante no futuro dos EUA.

"Nunca estive mais esperançoso sobre o futuro da América do que estou nesta noite", disse o presidente. "Apesar das dificuldades, nossa união é forte." 

Obama - que foi interrompido diversas vezes por aplausos tanto de democratas quanto de republicanos - pediu a união dos dois partidos.

"Sei que é um ano eleitoral. E depois da semana passada, ficou claro que a campanha chegou mais cedo que o normal", disse Obama, referindo-se à derrota histórica sofrida por seu partido, que perdeu uma vaga no Senado em uma eleição especial em Massachusetts.

"Nós fomos colocados aqui para servis aos nossos cidadãos, não às nossas ambições. Então vamos mostrar ao povo americano que nós podemos fazer isso juntos", disse.

Saúde

A vitória republicana em Massachusetts pode complicar o projeto de Obama de aprovar a reforma da saúde, prioridade em seu governo. No entanto, o presidente garantiu que não vai desistir do projeto.

"Quando eu terminar de falar nesta noite, mais americanos terão perdido seu seguro de saúde", disse. ""Eu não vou dar as costas a esses americanos."

"Aqui está o que eu peço ao Congresso: não dêem as costas à reforma. Não agora. Não quando estamos tão perto. Vamos encontrar uma maneira de nos unirmos e terminar este trabalho para o povo americano."

Déficit

Obama aproveitou o discurso para detalhar propostas antecipadas ao longo dos últimos dias.

Ele lembrou que o déficit do orçamento já era alto quando assumiu o poder, e teve de aumentar ainda mais em razão das medidas adotadas diante da crise financeira mundial. Estimativas do Congressão são de que em 2010 o déficit chegue a US$ 1,35 trilhão.

"Nesta noite, estou propondo medidas específicas para devolver o US$ 1 trilhão que foi necessário (gastar) para resgatar a economia no ano passado", disse o presidente.

"A partir de 2011, estamos preparados para congelar gastos do governo por três anos", afirmou o presidente. A medida já havia sido antecipada nesta semana, e não inclui gastos com segurança nacional, saúde e seguro social.

O presidente também voltou a falar sobre outras medidas já anunciadas, como um plano de apoio à classe média e uma proposta para reduzir os riscos assumidos pelos bancos.

Confiança

Obama afirmou que é preciso reconhecer que no momento o país enfrenta "mais do que um déficit de dólares".

"Nós enfrentamos um déficit de confiança", disse. "(Para superar a falta de credibilidade) nós devemos acabar com a influência desmedida de lobistas, fazer nosso trabalho abertamente e dar ao nosso povo o governo que ele merece."

O presidente criticou uma decisão tomada pela Suprema Corte na semana passada, que remove os limites para financiamento de campanhas, e disse que irá apelar a democratas e republicanos para que aprovem uma lei que ajude a "corrigir esse erro".

Comércio e clima

Obama disse que pretende dobrar as exportações americanas nos próximos cinco anos. "Um aumento que vai dar sustentação a 2 milhões de empregos", afirmou.

"Vamos buscar mercados agressivamente, assim como nossos competidores fazem."

O presidente também disse que vai continuar a lutar por um acordo na Rodada Doha de liberalização do comércio mundial e que vai reforçar laços de comércio com parceiros.

Obama afirmou ainda que é necessário aprovar um amplo projeto de energia e clima, "com incentivos que façam da energia limpa um tipo de energia rentável nos EUA".

"A nação que liderar a economia de energia limpa será a nação que vai liderar a economia global', disse. "E os EUA devem ser esta nação."

Afeganistão e Iraque

Em seu discurso, o presidente falou ainda sobre as medidas tomadas desde a tentativa frustrada de derrubar um avião que ia da Holanda para os Estados Unidos no Natal e da luta contra a rede extremista Al-Qaeda.

Reafirmou que as tropas de combate americanas vão deixar o Iraque no final de agosto e que mais soldados estão sendo enviados ao Afeganistão para treinar as forças de segurança afegãs, para que essas possam começar a assumir o controle da segurança em seu país em julho de 2011.

O presidente também falou do isolamento de nações que "insistem em violar acordos internacionais" em busca de armas nucleares, como o Irã e a Coreia do Norte.

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
ObamaEUAEstado da Uniãodiscurso

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.