Obama concentra esforços para anunciar nomeação nesta noite

Últimas prévias não devem alterar placar que dá vantagem de delegados ao senador sobre a rival Hillary Clinton

Agências internacionais,

03 de junho de 2008 | 07h36

A campanha do senador Barack Obama concentrou seus esforços na disputa pelos superdelegados indecisos e pode declarar vitória na corrida presidencial democrata após as primárias realizadas pelo partido, que acontecem na noite desta terça-feira, 3, com as prévias de Montana e Dakota do Sul.  Veja também:Hillary não apelará para o 'tapetão', afirmam aliados  Bill Clinton insinua desistência de Hillary nas eleições Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA Acompanhe a disputa entre os pré-candidatos  Seja qual for o resultado, o placar geral continuará inalterado, com Barack Obama à frente de Hillary Clinton. Por isso, a senadora deu sinais ontem de que pode anunciar sua desistência após a divulgação dos resultados desta terça. O indício mais claro foi o pedido para que seus principais doadores comparecessem ao discurso, em Nova York.  O convite incomum e o local escolhido - seu reduto eleitoral - foram interpretados como um gesto de que ela está pronta para jogar a toalha. Obama deve anunciar nesta noite que atingiu o número necessário de delegados para a indicação e que a campanha nacional começa na quarta. O local escolhido não poderia ser mais apropriado: o Xcel Energy Center, em St. Paul, Minnesota, mesmo local onde será realizada a convenção republicana, em setembro. Ainda na segunda, em Dakota do Sul, o ex-presidente Bill Clinton admitiu que poderia estar fazendo seu último comício. "Este pode ser o último dia que estou envolvido em uma campanha assim", disse o ex-presidente. "Achei que eu já tivesse me aposentado, mas Hillary decidiu se candidatar e foi uma grande honra fazer campanha para ela."  Em outro sinal de que a disputa terminou, a campanha de Hillary dispensou vários colaboradores. A ordem enviada foi de ir para casa e adiantar a prestações de contas da campanha. Por meio de telefonemas e e-mails, a campanha da senadora destacou ainda que não há nenhum compromisso na agenda dela a partir de quarta.  A campanha do senador entrou em contagem regressiva para a nomeação. Nesta terça, faltavam cerca de 40 delegados para que ele atingisse a maioria. Após a votação desta noite, a lista de Obama deve engrossar rapidamente. Aliados de Hillary já reconheceram a derrota e Obama usou um tom amistoso ao falar de Hillary, garantindo que os dois "trabalharão juntos em novembro".  Aproveitando o senso de oportunidade do fim da disputa, a campanha de Obama afirmou que o comitê está organizando o endosso do pré-candidato por pelo menos oito membros do Senado e da Câmara dos Deputados que permaneceram sem manifestar apoio por qualquer nome até o fim das prévias. O apoio poderia ser anunciado logo após as primárias desta terça. Elogio à rival Na segunda-feira, Obama discursou na cidade de Troy, no Estado de Michigan, fortemente atingido pela crise econômica americana, e, em seu pronunciamento, fez uma única menção - elogiosa, por sinal - à rival, mas centrou inúmeras críticas ao candidato republicano, John McCain. "A senadora Clinton fez uma campanha fantástica, ela é uma extraordinária servidora pública. E ela e eu estaremos trabalhando juntos em novembro (mês em que será realizada a eleição geral)", afirmou Obama.  "A outra razão pela qual sei que o partido estará unido é que quando chegarmos em novembro, o nome George W. Bush não estará na cédula, e acho que todos estaremos unidos para garantir que as políticas econômicas e a política externa de Bush não cheguem à Casa Branca", acrescentou.  O senador tem procurado reforçar os laços entre seu provável rival e o presidente Bush. "Diante da crise de moradia, da forte impopularidade de Bush e da guerra, chega a ser impressionante que a disputa entre democratas e republicanos seja sequer competitiva. Mas isso é graças ao indicado do Partido Republicano, que é o melhor candidato", disse à BBC Brasil James Thurber, diretor do Centro de Estudos Presidenciais e do Congresso da American University, de Washington. "Através de seu individualismo, ele tem apelo junto a eleitores democratas da classe trabalhadora, os chamados 'Democratas Reagan'", afirma Thurber. De acordo com o analista, a provável disputa entre Obama e McCain será acirrada, em especial nos chamados Estados "campo de batalha", como Ohio, Pensilvânia e Virgínia, onde os eleitores estão divididos em suas preferência entre republicanos e democratas.  Muitos eleitores democratas destes Estados que votaram em Hillary são originários da classe trabalhadora, com nível educacional básico e predominantemente brancos. Este grupo eleitoral tem se mostrado resistente a votar em Obama. "A questão racial tornará a disputa difícil para Obama. Os eleitores da classe trabalhadora estão relutantes em votar num afro-americano. As eleitoras que apoiaram Hillary estão mais propensas a votar nele."  Thurber acredita que seja qual for a decisão tomada por Hillary após terça-feira, ela estará colocando o seu futuro político em jogo. "Eu acredito que ela decidirá se retirar da disputa. Depois de terça, será preciso um tempo para sanar as feridas e para restabelecer a união. Se ela se retirar de forma digna, isso dará a ela um grande poder político. Se seguir lutando, tanto ela como Bill Clinton perderão tudo e causarão um estrago completo para o Partido Democrata."  (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, Bruno Garcez, da BBC Brasil, e The New York Times)

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