Obama considera expandir ataques no interior do Paquistão

EUA estudam ampliar ações em província que líderes estariam abrigados além da área tribal paquistanesa

Agências internacionais,

18 de março de 2009 | 08h11

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus assessores de segurança nacional consideram expandir a guerra encoberta no Paquistão até as regiões tribais na região da fronteira com o Afeganistão, segundo afirma nesta quarta-feira, 18, o jornal americano The New York Times. Dois documentos de alto nível enviados nas últimas semanas para a Casa Branca pedem para que a área da ofensiva seja estendida para alcançar o Taleban e outros grupos insurgentes em um importante refúgio nos arredores da cidade de Quetta, diz a reportagem que cita altos funcionários do governo.

 

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Até o momento, os ataques por parte de aviões não tripulados da CIA estão limitados nas áreas tribais do Paquistão, e nunca foram ampliados para a província do Baluchistão, que está nas proximidades das zonas afegãs em que são registrados violentos confrontos entre soldados e insurgentes, afirma o jornal. Alguns funcionários americanos afirmam que os ataques americanos com mísseis nas áreas tribais fizeram com que alguns líderes do Taleban e da Al-Qaeda fugissem para Quetta, de onde estariam orquestrando ataques contra a coalizão Ocidental em missão no Afeganistão.

 

O Paquistão afirma que os ataques com aeronaves não tripuladas violam a soberania do seu território. Muitos dos assessores de Obama ainda estariam pedindo para que o presidente mantenha as ordens emitidas no ano passado pelo ex-mandatário George W. Bush para seguir com os ataque nas áreas tribais do Paquistão. As ordens também estabelecem que se realizem ações transfronteiriças nesse terreno, usando comandos da CIA e de Operações Especiais.

 

O Afeganistão - ou, como encara a inteligência americana hoje, o AfPak, união entre o Afeganistão e o Paquistão, onde ficam os santuários de terroristas - transformou-se no principal front da nova guerra ao terror. E a estratégia no Afeganistão deve se concentrar em assegurar estabilidade regional e eliminar santuários do Taleban no Paquistão, em vez de construir uma democracia sólida e economia próspera no Afeganistão, como pregava o governo Bush.

 

Mais tropas para eleições

 

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, de visita a Cabul, disse que é necessário desdobrar outros quatro batalhões da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) para garantir as eleições no Afeganistão. Inicialmente, os pleitos presidenciais estão previstos para acontecer em agosto.

 

"Embora já tenhamos visto uma contribuição principalmente americana e de outras nações, precisamos de mais tropas", afirmou De Hoop Scheffer em entrevista coletiva no quartel-general da Isaf, missão militar sob comando da Otan. Para o secretário-geral, a situação no país asiático não é necessariamente pessimista, embora o "progresso" que esteja havendo seja "desigual". "No norte e no oeste, há estabilidade, e inclusive no leste a situação está melhorando, enquanto no sul (onde os taleban têm suas principais fortificações) ainda há muitos desafios", explicou.

 

De Hoop Scheffer reiterou o "compromisso a longo prazo" da Otan no Afeganistão, cujas tropas são corresponsáveis, junto às forças afegãs, pela "segurança e estabilidade" do país. Ele se reuniu nesta quarta com o presidente afegão, Hamid Karzai, e De Hoop Scheffer insistiu em que o processo eleitoral será um "trabalho difícil e exigente", mas ressaltou que a Isaf fará tudo o que estiver em sua mão para que o pleito ocorre em um clima seguro.

 

O secretário-geral também pediu desculpas pela morte de civis em operações das tropas estrangeiras, uma das máxima preocupações de Karzai. O líder afegão, por sua vez, agradeceu o apoio internacional na luta contra a insurgência e na reconstrução do Afeganistão, mas advertiu contra possíveis ingerências nos assuntos de governo.

 

O presidente afegão advertiu que "o Afeganistão nunca será uma marionete" ao pedir à comunidade internacional que evite interferir em assuntos do governo em um momento no qual o país prepara-se para eleger um novo chefe de Estado. Em entrevista coletiva concedida em Cabul ao lado de De Hoop Scheffer, Karzai pediu aos parceiros estrangeiros de seu governo que respeitem e honrem a independência do país.

 

Karzai disse que aprecia o trabalho dos EUA e de outros membros da comunidade internacional na luta contra o terrorismo e na reconstrução do Afeganistão, mas criticou atores não identificados que estariam propondo o enfraquecimento do governo central afegão. "A questão da governança e da criação de (um mecanismo de boa governança) são atribuições do povo afegão", insistiu ele.

 

Karzai concorrerá à reeleição em agosto. Atualmente, o Afeganistão é palco de um persistente insurgência protagonizada pela milícia fundamentalista islâmica Taleban. Ao mesmo tempo, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e outros governantes ocidentais têm qualificado o governo afegão como ineficaz e corrupto.

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