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Obama cria cargo de 'czar' da segurança cibernética

Funcionário será responsável por coodernar esforços do governo para preparar defesa contra ataques virtuais

29 de maio de 2009 | 13h22

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira, 29, a nomeação de um responsável para a segurança cibernética, autoridade que ficará encarregada de coordenar os esforços americanos para proteger os sistemas de computação privados e do governo de hackers, gangues, terroristas e espiões.

 

O movimento é destinado a proteger redes de computadores importantes de ataques cibernéticos que podem prejudicar a segurança nacional e enfraquecer a competitividade econômica dos EUA. "A partir de agora, nossa infraestrutura digital - as redes e os computadores dos quais dependemos todos os dias - será tratada como deveria ser: como um ativo nacional estratégico", disse Obama, em um pronunciamento na Casa Branca. "Proteger essa infraestrutura será uma prioridade de segurança nacional", acrescentou.

 

Em discurso na Casa Branca, Obama afirmou que este é um "momento de transformação" para os EUA e que em pouco tempo escolherá um funcionário encarregado de dirigir a nova agência para o setor. O czar responderá ao conselheiro de Segurança Nacional e ao Conselho Nacional Econômico. Segundo o presidente, o "ciberespaço é um mundo do qual dependemos a cada dia", um espaço "real, como são os riscos que o acompanham" e os EUA "não estão preparados como deveriam, como governo ou país".

 

Obama não disse quem ele vai escolher como seu "cyber czar", cargo que fará parte do Conselho de Segurança Nacional e do Conselho de Segurança Doméstica. De acordo com o Wall Street Journal, os candidatos incluem a chefe interina para segurança cibernética da Casa Branca, Melissa Hathaway; o vice-presidente da Microsoft, Scott Charney, e Maureen Baginski, que já ocupou cargos seniores na Agência de Segurança Nacional e no FBI, a polícia federal dos EUA.

 

Entre as medidas que a Casa Branca adotará para melhorar a segurança cibernética, o presidente anunciou um aumento da cooperação com os aliados, assim como uma campanha nacional para conscientizar sobre os riscos. O presidente disse que será aumentada a proteção das redes de informática, mas ressaltou que sempre haverá "neutralidade" e privacidade, e em nenhum caso terá supervisão das redes privadas ou do tráfego na internet.

 

A Casa Branca também deverá estabelecer um novo comando militar cibernético para administrar a proteção da rede de computadores do Pentágono e melhorar as capacidades de ofensiva do país na guerra cibernética.

 

Obama disse que a experiência pessoal mostrou a ele a realidade das ameaças cibernéticas, citando ataques bem sucedidos a sua rede de computadores de campanha durante as eleições presidenciais. Ele disse que hackers tiveram acesso a uma série de arquivos e e-mails da campanha.

 

Obama ordenou em fevereiro passado a revisão das medidas de segurança informática no governo, para proteger dados como as declarações de impostos, as solicitações de passaporte ou relatórios altamente sigilosos.

 

Segundo o jornal The New York Times, a agência criada por Obama deve coordenar um bilionário esforço para restringir o acesso a computadores do governo e proteger os sistemas que administram as Bolsas dos EUA, liberam transações bancárias e integram o controle do tráfego aéreo, além de coordenar as ações entre as defesas do setor privado e do governo contra milhares de ataques virtuais realizados todos os dias contra os EUA, em geral por hackers, mas às vezes por governos estrangeiros.

 

A necessidade de melhorar a segurança digital dos EUA ficou clara em abril, quando o Wall Street Journal afirmou que ciberespiões haviam invadido rede elétrica dos EUA e deixado softwares que poderiam afetar o sistema.

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