Obama critica Ahmadinejad por 'odiosa' declaração sobre 11/9

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou de odiosa, ofensiva e indesculpável a sugestão do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de uma participação do governo norte-americano nos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

ALISTER BULL E LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

24 de setembro de 2010 | 16h06

Ahmadinejad também disse que poderá haver uma reunião no mês que vem sobre o polêmico programa nuclear do país.

Em uma entrevista ao serviço de notícias da BBC persa, Obama criticou Ahmadinejad pela mais recente de uma longa lista, segundo a Casa Branca, de comentários ultrajantes que devem aprofundar o isolamento do Irã na comunidade internacional.

"Foi ofensivo. Foi odioso", disse Obama, de acordo com trechos da entrevista divulgados pela Casa Branca.

"E em especial ele fazer essa declaração aqui em Manhattan, um pouco ao norte do Marco Zero, onde as famílias perderam seus entes queridos...ele fazer uma declaração como essa é indesculpável."

Os EUA e seus aliados do Ocidente estão presos num impasse com o Irã sobre o programa nuclear do país, que Washington acredita que seja destinado a produzir armas atômicas, mas que Teerã afirma ter apenas fins pacíficos.

Obama decidiu conceder a entrevista antes de Ahmadinejad fazer os comentários sobre 11/9 como uma forma de falar diretamente à população iraniana. A transmissão da BBC persa é em persa, principal idioma do Irã.

Num discurso à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na quinta-feira, Ahmadinejad disse que em sua maioria são funcionários e autoridades do governo dos EUA que acreditam que militantes da Al Qaeda executaram os ataques que derrubaram o World Trade Center, em Nova York, e atingiram o Pentágono, perto de Washington.

Ele afirmou que uma outra teoria é de que "alguns segmentos dentro do governo dos EUA orquestraram o ataque." Ele continuou a falar sobre o assunto na sexta-feira, classificando o pano de fundo dos ataques "suspeitos" durante uma entrevista coletiva.

Um funcionário sênior da Casa Branca disse a jornalistas que as declarações faziam parte do padrão de Ahmadinejad, que inclui a negação do Holocausto, o que isola ainda mais o país e prejudica o interesse do seu povo.

No discurso de Obama na ONU, na quinta-feira, ele reiterou a posição dos EUA de que a porta da diplomacia permanecia aberta ao Irã, mas que Teerã precisa cumprir suas obrigações internacionais com relação ao programa nuclear do país.

(Reportagem adicional de Michelle Nichols, Lesley Wroughton e Patrick Worsnip, em Nova York, e Caren Bohan e Matt Spetalnick, em Washington)

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