Obama critica duramente empresas envolvidas em vazamento de óleo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez duras críticas nesta sexta-feira às empresas envolvidas no gigante vazamento de petróleo no Golfo do México por um "espetáculo ridículo" de transferir publicamente a culpa pelo acidente.

CAREN BOHAN E STEVE GORMAN, REUTERS

14 Maio 2010 | 17h03

Em comentários após um encontro com seu gabinete para discutir esforços para conter o vazamento e minimizar seu impacto nas comunidades do Golfo, Obama disse estar irritado e frustrado com acidente, que pode causar um grande desastre ecológico e econômico.

"Eu tenho que dizer, no entanto, que eu não aprecio o que eu considero ser um espetáculo ridículo durante as audiências do Congresso sobre a questão. Você teve executivos da BP, Transocean e Halliburton caindo um sobre os outros para apontar o dedo da culpa em outro alguém", disse Obama.

O presidente se referiu aos depoimentos nesta semana no Congresso por líderes das três empresas envolvidas no desastre --a gigante energética British Petroleum, a Halliburton e a Transocean Ltd. Nenhuma das três assumiu responsabilidade pelo vazamento.

"O que realmente importa é isso: tem petróleo vazando... e precisamos interrompê-lo o mais rápido possível", disse Obama.

As projeções científicas sobre o volume de óleo que jorra livremente há três semanas de um poço petrolífero submarino rompido têm variado tremendamente, desde os 5.000 barris diários (795 mil litros) aventados pela BP a até 100 mil barris (15,9 milhões de litros) por dia.

O executivo operacional chefe da BP, Doug Suttles, apareceu em programas de TV matinais norte-americanos para defender os esforços da empresa para frear o fluxo de óleo e suas estimativas de que o volume que está vazando por dia seria de aproximadamente 5.000 barris.

"Acho que essa é uma projeção acertada", disse Suttles na CNN. "Não sei o número certo, mas acho que é por volta disso."

Na CBS, ele acrescentou: "Estamos montando a maior resposta já vista, e ela não está relacionada ao fato de serem 5.000 barris por dia ou um número diferente."

A BP, a Halliburton e a Transocean estão sob escrutínio intenso devido à explosão de 20 de abril na plataforma Deepwater Horizon, que matou 11 trabalhadores e desencadeou um vazamento que pode ultrapassar o vazamento do Exxon Valdez, em 1989, tornando-se o pior desastre ambiental na história dos Estados Unidos.

A pesca e o turismo, dois dos principais pilares econômicos da Costa do Golfo, estão ameaçados pela mancha de óleo crescente, que também põe em risco a sobrevivência de aves, tartarugas marinhas e outros animais. O acidente também pode frustrar as tentativas de Washington de rever a política energética dos Estados Unidos.

A BP, cujas ações caíram vertiginosamente, anulando 30 bilhões de dólares em valor de mercado desde o incêndio na plataforma, disse que o vazamento já lhe custou 450 milhões de dólares. As ações da empresa caíram mais de 3 por cento em Londres.

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