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Obama critica polícia por prisão de professor negro de Harvard

Presidente chama incidente policial de estúpido e reacende polêmica sobre questão racial nos Estados Unidos

AP e Reuters,

24 de julho de 2009 | 08h20

O presidente dos EUA, Barack Obama, criticou na quinta-feira, 23, o comportamento dos policiais que prenderam na semana passada um conhecido acadêmico negro, em sua própria casa, após confundi-lo com um ladrão. Obama chamou de "estúpida" a ação da polícia e reacendeu o debate sobre o racismo no país.

Em uma entrevista à imprensa, Obama foi questionado sobre a detenção de Henry Louis Gates, especialista em estudos afro-americanos da Universidade de Harvard, localizada na cidade de Cambridge, no Estado de Massachusetts. Gates, que havia esquecido suas chaves, forçou a porta para entrar em casa às 13 horas do dia 16.

O professor, um dos acadêmicos com mais conhecimento sobre a questão racial nos EUA e amigo de Obama, foi detido minutos depois pela polícia, que havia sido chamada por uma vizinha que pensou que ele fosse um ladrão. Ele já estava dentro de casa quando foi levado pelos policiais.

"Em primeiro lugar, qualquer um de nós ficaria indignado. Em segundo lugar, a polícia atuou de forma estúpida ao prender alguém na porta de sua própria casa", declarou o presidente. "Por fim, como parte do incidente, neste país existe um longo histórico de prisões arbitrárias de negros e latinos pela polícia. Isto é um fato."

Segundo Obama, o caso "é um sinal de que a raça ainda é um fator importante na sociedade americana". "Mas isto não ofusca em nada os avanços incríveis já feitos. Eu mesmo sou uma prova disso."

James Crowley, sargento da polícia de Cambridge, que prendeu o professor, disse ontem a uma emissora de rádio que não havia feito nada de errado. "Concordo com o presidente até certo ponto, mas fiquei decepcionado pelo fato de ele ter se metido em um assunto local, que deve ser resolvido aqui", disse. "Ele (Obama) precisava primeiro saber de todos os fatos antes de fazer qualquer comentário."

Humilhação

Crowley - que é branco - é especialista em temas raciais na Academia de Polícia de Cambridge, onde leciona um curso sobre o tema há cinco anos. Ele explicou que recebeu o chamado de roubo e foi à casa de Gates, que fica próxima da Universidade de Harvard.

Quando chegou, Crowley teria pedido um documento de identidade a Gates, que se negou a mostrá-lo e passou a acusar o policial de racista. "Assim é que os negros são tratados nos EUA", teria gritado o professor. Gates foi autuado por "perturbar a ordem pública".

O professor disse que se sentiu "humilhado" pela prisão e afirmou que o policial entrou em sua casa sem permissão. Gates disse ainda que não gostou do tratamento que lhe foi dado e garantiu que repetiu diversas vezes para que o policial lhe desse seu número de identificação e nome - prática habitual nos EUA. "Isso não tem nada a ver comigo, mas diz respeito à vulnerabilidade do homem negro nos EUA", afirmou Gates, que exige um pedido de desculpas da polícia.

Exemplo

Crowley disse que não iria se desculpar. De acordo com ele, a corporação estava lhe dando total apoio. O diretor da Academia de Polícia de Cambridge, Thomas Fleming, afirmou que Crowley era "um exemplo para os cadetes". Segundo Fleming, ele foi indicado para o posto por Ronny Watson, antigo chefe da polícia local, que é negro.

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