Obama defende discussões em 2011 por reforma tributária dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que democratas e republicanos devem iniciar uma discussão em 2011 sobre uma revisão ampla do código tributário norte-americano, envolvendo a redução das alíquotas e a eliminação de isenções de impostos para grupos favorecidos.

CAREN BOHAN, REUTERS

10 de dezembro de 2010 | 13h30

Obama disse que qualquer esforço para simplificar o complexo código tributário dos EUA será trabalhoso, mas, se tiver sucesso, pode criar condições para um crescimento mais forte.

A reforma tributária é defendida por muitos na comunidade empresarial que dizem que a estrutura tributária atual para as companhias coloca as empresas dos EUA em desvantagem competitiva no mercado global.

"A ideia é simplificar o sistema, se possível reduzir alíquotas, ampliar a base -- acho que a maioria dos economistas pensa que isso favoreceria o crescimento econômico", disse Obama em entrevista à Rádio Pública Nacional. "Mas é uma discussão muito complicada."

"Acho que precisamos iniciar essa discussão em 2011. Creio que podemos conseguir uma concordância ampla de parte dos dois partidos de que a reforma é necessária. Mas será preciso muito trabalho árduo para fazer com que aconteça de fato."

A entrevista foi gravada na quinta-feira, mas transmitida na manhã de sexta.

Uma reestruturação do código tributário para acabar com as deduções especializadas e outros incentivos fiscais foi uma das recomendações apoiada pela maioria no comitê nomeado por Obama para debater a redução do déficit.

O comitê disse que a eliminação das deduções possibilitaria uma redução das alíquotas e o levantamento de receita adicional para ajudar a frear o déficit orçamentário inchado.

O jornal "New York Times" informou nesta sexta-feira que Obama orientou sua equipe econômica e analistas do Departamento do Tesouro a estudarem ideias para fechar lacunas e eliminar deduções no imposto de renda de pessoa física e jurídica.

O jornal disse que a análise do código tributário de pessoa jurídica está mais adiantada.

A Casa Branca ressaltou que ainda não foi decidido se Obama lançará uma campanha grande em favor da reforma tributária no futuro próximo.

"O presidente vem dizendo há muito tempo que a reforma tributária é uma prioridade, e a comissão tributária bipartidária recentemente fez recomendações que o presidente analisará dentro do processo de análise do orçamento, mas ela não está analisando propostas específicas, e não foi decidido se a reforma tributária é uma prioridade pela qual Obama lutará no futuro próximo", disse a porta-voz da Casa Branca Jen Psaki.

A última reforma importante do código tributário dos EUA aconteceu em 1986 sob a presidência do republicano Ronald Reagan.

Obama fez referência a esse esforço e avisou que a reforma "não aconteceu de uma hora para outra."

"Foram necessárias muitas discussões entre muitas partes diferentes", disse Obama.

Mas ele acrescentou que as lacunas e deduções tendem a beneficiar os ricos, que podem contratar contadores para aproveitar dispositivos especiais do código tributário, "enquanto as pessoas comuns acabam passando por apertos."

Na entrevista à rádio, Obama também previu que o pacote de reduções de impostos que ele discutiu com os republicanos será aprovado até o final do ano, com poucas modificações.

(Reportagem de Caren Bohan e Jeff Mason)

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