Obama deve enviar acordos comerciais ao Congresso--republicanos

Cerca de dez senadores republicanos pediram na quarta-feira ao presidente Barack Obama que envie ao Congresso três protelados acordos internacionais de comércio que, segundo eles, contribuiriam para a geração de empregos nos EUA.

DOUG PALMER, REUTERS

07 Setembro 2011 | 18h13

"Se o presidente realmente se importa com os empregos, ele irá submeter os acordos imediatamente", disse o senador Rob Portman a jornalistas, referindo-se aos acordos com Coreia do Sul, Panamá e Colômbia, que foram assinados há mais de quatro anos, mas não receberam ratificação parlamentar.

Na noite de quinta-feira, Obama fará um discurso no qual apresentará propostas para a geração de empregos. Os senadores criticaram o presidente por repetidamente pedir ao Congresso que aprove os acordos comerciais, mas sem enviá-los formalmente.

"Não podemos aprová-los se ele não os envia", disse o senador Roy Blunt, lembrando que os tratados estão sobre a mesa de Obama desde sua posse, em janeiro de 2009.

O governo estima que os acordos irão ampliar em cerca de 13 bilhões de dólares as exportações norte-americanas, contribuindo para a criação ou preservação de cerca de 70 mil postos de trabalho.

A Casa Branca ainda não submeteu os textos ao Congresso porque sua prioridade é renovar o programa de Assistência do Ajuste Comercial (TAA, na sigla em inglês), destinado a ajudar na requalificação de trabalhadores que perderam seus empregos devido à concorrência internacional.

Em outra entrevista coletiva, o líder da maioria republicana no Senado, Harry Reid, disse que só colocará os tratados comerciais na pauta se a Câmara antes aprovar o TAA.

De acordo com Reid, o presidente da Câmara, John Boehner, "já disse que vai providenciar isso, mas não acho que tenhamos garantias de que as coisas não vão desandar". Ele acrescentou que pretende discutir o assunto na noite de quarta-feira com o chefe de gabinete da Casa Branca, Bill Daley.

O TAA tem causado um prolongado atrito neste ano entre o Executivo e a oposição republicana. Os democratas consideram que o TAA é uma parte importante da rede de segurança social dos EUA, enquanto muitos republicanos --especialmente os ligados ao movimento conservador Tea Party-- entendem que o programa é ineficaz e, portanto, dispensável.

O programa foi ampliado em 2009 para abranger profissionais dos setores de serviços e para conceder benefícios mais generosos. Essas reformas já expiraram, mas o núcleo do programa continua em vigor.

A Casa Branca quer conciliar os acordos comerciais a concessões na renovação das medidas ligadas ao TAA, mas irritou os republicanos ao ameaçar incluir esse projeto no pacote de implementação do acordo de livre comércio com a Coreia do Sul.

Logo antes do recesso parlamentar de agosto, Reid e o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, emitiram uma declaração conjunta sinalizando à Casa Branca que os republicanos não obstruiriam a tramitação do TAA no Senado.

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