Obama divulga nesta quarta plano para saída do Afeganistão

O presidente dos EUA, Barack Obama, fará na quarta-feira pronunciamento para apresentar um plano para o início da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, primeiro passo para encerrar um conflito que começou há dez anos e é cada vez mais impopular nos Estados Unidos.

MISSY RYAN E STEVE HOLLAND, REUTERS

22 de junho de 2011 | 19h53

Obama teve anunciar pela TV, a partir das 21h (hora de Brasília), a intenção de retirar 10 mil soldados do Afeganistão até o final do ano, e outros 23 mil até meados de 2012, segundo antecipou uma fonte parlamentar à Reuters.

O anúncio encerra semanas de especulações sobre o futuro da presença militar dos EUA no Afeganistão, onde há 100 mil militares norte-americanos. Comandantes militares vêm alertando Obama a não fazer uma retirada exagerada, sob pena de reverter os avanços dos últimos meses contra a insurgência do Taliban.

Por outro lado, o governo precisa reduzir seus gastos com a guerra e estancar a perda de vidas norte-americanas, sob pena de ser castigado pelo eleitorado nas eleições de 2012.

"Praticamente não há nenhuma decisão que Obama possa tomar que seja boa. Estamos numa crise econômica, e esta é uma guerra cara", disse Robert Lamb, especialista em conflitos no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. "Por outro lado, não podemos deixar um Afeganistão que seja instável -- não é do nosso interesse dar a impressão de que estamos reduzindo (o contingente) e saindo correndo."

A retirada de 33 mil soldados -- todo o contingente adicional enviado em 2010 para reforçar o combate ao Taliban -- até o final do verão boreal de 2012 deve ser mal recebida pela cúpula do Pentágono. O secretário de Defesa, Robert Gates, já havia dito que isso seria "prematuro".

Mas, no Congresso, alguns parlamentares se mostram impacientes com uma guerra que atualmente custa mais de 110 bilhões de dólares por ano, e exigiam uma retirada inicial ainda maior.

O debate sobre o tema mudou consideravelmente desde que forças especiais dos EUA mataram em maio o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, no Paquistão. Esse fato deu a críticos -- tanto republicanos quanto democratas -- mais argumentos para cobrar de Obama metas mais precisas para o conflito no Afeganistão.

Embora os Estados Unidos estejam envolvidos em negociações políticas com o Taliban, autoridades admitem que um acordo de paz ainda pode estar distante, se é que será possível.

Obama, no entanto, não pode se dar ao luxo de esperar muito, pois pretende disputar um novo mandato em 2012. Segundo uma pesquisa do instituto Pew divulgada na terça-feira, 56 por cento dos norte-americanos - cifra recorde - são favoráveis à retirada das forças do Afeganistão o mais rapidamente possível.

(Reportagem adicional de Susan Cornwell)

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