Obama diz que EUA buscarão diálogo com o governo do Irã

Na primeira coletiva, presidente americano afirma que desconfianças dos dois lados deverão ser superadas

Agência Estado e Associated Press,

09 de fevereiro de 2009 | 23h46

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que nos próximos meses buscará "aberturas" que possam levar a um diálogo direto com o governo do Irã. Na primeira entrevista coletiva como presidente, concedida na noite desta segunda-feira, 9, Obama afirmou que sua equipe de segurança nacional está examinando áreas nas quais os EUA possam se "envolver diretamente" com o Irã. O presidente ressalvou, contudo, que isso não acontecerá da noite para o dia e que "muita desconfiança" terá de ser superada para que melhorem as relações entre os dois países.   Veja também: Obama diz que somente governo pode salvar economia dos EUA   Obama disse que o Irã precisa entender que os EUA consideram "inaceitável" o financiamento de grupos terroristas por parte do governo iraniano, e que, se dispuser de armas nucleares, o Irã pode deflagrar uma corrida armamentista capaz de desestabilizar o Oriente Médio. Ele não quis revelar, no entanto, que outro país da região já possui arsenal atômico, mantendo-se de acordo com a política dos EUA e de Israel, de se recusar a reconhecer publicamente a capacidade nuclear do Estado judeu. O presidente disse que os EUA estão enviando sinais de que querem "fazer as coisas de uma forma diferente" e que é hora de o Irã enviar os mesmos sinais.   Sobre o Paquistão, Obama afirmou que o governo norte-americano não pode permitir que a "Al-Qaeda opere em refúgios seguros", nas áreas tribais junto à fronteira com o Afeganistão. Ele disse que a política norte-americana para a região está sob ampla revisão, e que esta é a missão do enviado especial dos EUA, Richard Holbrooke. "Temos de melhorar o sistema de coordenação regional", defendeu. "A missão de Holbrooke no Paquistão é dizer que eles correm tanto risco como nós", afirmou o presidente.   Obama admitiu que a situação no Afeganistão pode ser tão ou mais difícil do que no Iraque. "Tivemos uma eleição no Iraque relativamente tranquila; e o sistema político aparentemente está funcionando", disse. "Não parece que isso esteja ocorrendo no Afeganistão, onde o governo está muito distante do que acontece nas comunidades."   Na entrevista, Obama foi questionado se seu governo investigaria eventuais excessos no combate ao terror cometidos durante a administração de seu antecessor, George W. Bush. "Meu governo operará de forma a não deixar dúvida de que não torturamos, de que seguimos a Convenção de Genebra e perseguimos terroristas que nos causem mal", declarou. Ele afirmou que "ninguém está acima da lei" a ponto de evitar processos judiciais, caso isso venha a acontecer, mas destacou que, em vez de examinar o passado, seu governo vai priorizar um "olhar para a frente".

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