Obama diz que EUA esperam uma contrapartida do Paquistão

Os Estados Unidos vão dar ao Paquistão os instrumentos necessários para derrotar a Al Qaeda, mas esperam uma contrapartida, disse o presidente Barack Obama em uma entrevista divulgada neste domingo sobre a nova estratégia do governo para o Afeganistão.

REUTERS

29 de março de 2009 | 17h40

Durante o programa "Face the Nation" da rede de TV CBS, Obama também disse que se os Estados Unidos localizarem líderes da Al Qaeda no Paquistão, só irão persegui-los após consultar as autoridades paquistanesas.

Os comentários do presidente foram feitos em entrevista realizada na sexta-feira, o dia do anúncio de uma nova estratégia para o Afeganistão, que pede a eliminação de todos os militantes da Al Qaeda que estariam planejando ataques aos Estados Unidos a partir de uma região ao longo da fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

O plano prevê o envio de outros 4.000 combatentes para ajudar a treinar o Exército do Afeganistão, em adição aos 17.000 enviados ao país em agosto. Os gastos no conflito devem crescem 60 por cento dos atuais 2 bilhões de dólares por mês, segundo autoridades.

"O que nós queremos fazer é retomar a atenção à Al Qaeda", disse Obama à CBS. "Nós vamos eliminar as redes, as bases deles. Nós vamos nos certificar de que eles não podem atacar os cidadãos dos Estados Unidos, o solo dos Estados Unidos, os interesses dos Estados Unidos e os interesses de nossos aliados ao redor do mundo."

Para fazer isso, segundo Obama, os Estados Unidos tem que garantir que a Al Qaeda não tenha uma base no Afeganistão ou Paquistão de onde organizar os ataques. Ele disse que Washington também precisa convencer os cidadãos paquistaneses de que a luta contra extremistas não é apenas uma guerra dos Estados Unidos.

"O que nós queremos fazer é dizer para o povo paquistanês: 'Vocês são nossos amigos, vocês são nossos aliados. Nós vamos dar a vocês os instrumentos para derrotar a Al Qaeda e eliminar esses redutos seguros, mas nós também esperamos uma contrapartida", disse.

Ele também afirmou que os Estados Unidos iriam perseguir os chamados alvos de "alto valor" no Paquistão após consultar as autoridades do país, mas o principal ponto de sua política é ajudar o Paquistão a derrotar o extremismo.

"Nosso plano não muda o reconhecimento do Paquistão como um governo soberano", disse Obama. "Nós precisamos trabalhar com eles e por meio deles para lidar com a Al Qaeda. Mas nós temos que torná-los muito mais responsáveis."

O presidente disse que situação no Afeganistão vem se deteriorando nos últimos anos, "a não ser que nós administremos isso agora, nós vamos enfrentar mais problemas."

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