Obama diz que EUA não estão em guerra contra o Islã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao mundo muçulmano na segunda-feira que os EUA não estão em guerra contra o Islã e usou sua primeira viagem internacional para tentar recuperar a imagem arranhada do país no exterior.

CAREN BOHAN E IBON VILLELABEITIA, REUTERS

06 de abril de 2009 | 17h30

Buscando mostrar seriedade na forma de atingir os muçulmanos, Obama enfatizou seu apoio à criação de um Estado palestino, apesar da eleição recente de um governo de direita em Israel.

"Deixe-me dizer isso o mais claro possível: Os Estados Unidos não estão, e nunca estarão, em guerra com o Islã", disse ele, em um discurso ao parlamento turco.

Em sua primeira viagem como presidente ao mundo muçulmano, que acusou seu antecessor, George W. Bush, de tender para o lado de Israel, Obama afirmou: "Os Estados Unidos apoiam fortemente a meta de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado em paz e segurança".

O principal negociador de paz palestino, Saeb Erekat, saudou as palavras de Obama, dizendo que ele fez um comprometimento importante para com a solução de dois Estados. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel está comprometido em alcançar a paz e iria cooperar com o governo Obama para alcançar essa meta.

Obama encontra-se na última parte de sua primeira viagem pelo mundo como presidente. Ele tem tentado reatar os laços com os muçulmanos após a fúria provocada pela invasão do Iraque e pela guerra no Afeganistão.

"Eu também quero deixar claro que a relação da América com o mundo muçulmano não pode e não será baseada na oposição à Al Qaeda. Longe disso. Nós buscamos um amplo comprometimento, com base nos interesses mútuos e no respeito mútuo. Vamos ouvir com atenção, atenuar as divergências, e buscar uma base comum."

A Turquia é uma importante rota de passagem para tropas e equipamentos dos EUA com destino ao Iraque e ao Afeganistão. Enquanto os EUA reduzem o número de soldados seus no Iraque, a base da força área de Incirlik deve exercer um papel-chave e Obama conversou sobre esse assunto com líderes turcos.

A visita de Obama também é um sinal de aprovação ao poder regional político e econômico da Turquia e ao seu status de democracia secular em busca de lugar na União Européia.

"Dada a atividade e credibilidade turca na região mais ampla que vai do Afeganistão ao Oriente Médio, passando pelas rotas de energia, Obama quer dar sangue novo a uma parceria estratégica com a Turquia", disse Cengiz Cander, comentarista turco e especialista em Oriente Médio.

No final do dia, Obama pediu aos ministros de Relações Exteriores de Turquia e Armênia para completar negociações que visam a retomada das relações entre os dois vizinhos, de acordo com uma autoridade norte-americana.

Os turcos aceitam que muitos cristãos armênios foram mortos pelos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial, mas nega que 1,5 milhão de pessoas tenham morrido em decorrência de um genocídio sistemático.

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