Obama diz que recuperação econômica depende de reforma da saúde

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na quarta-feira que percebeu o ceticismo dos norte-americanos com a sua proposta de reforma da saúde pública, mas afirmou que a recuperação econômica do país depende da implementação do plano, de 1 trilhão de dólares.

STEVE HOLLAND E DAVID ALEXANDER, REUTERS

23 de julho de 2009 | 08h51

Obama garantiu que "as estrelas estão alinhadas" para que a reforma seja aprovada ainda neste ano, apesar da resistência do Congresso. Para o presidente, a falta de ação deve prejudicar a economia, agravar o déficit público e causar a paralisia financeira de milhões de norte-americanos.

"Entendo que as pessoas se sintam inseguras com isso. Elas estão ansiosas", disse ele numa entrevista coletiva transmitida pela televisão em horário nobre. Para Obama, no entanto, as pessoas vão apoiar a proposta quando virem "o custo de não fazerem nada".

Temendo que a discussão perca fôlego ao longo dos meses, Obama espera que a Câmara e o Senado submetam a reforma a votação ainda antes do recesso de agosto, mas muitos parlamentares querem mais tempo para examinar um conjunto de propostas que exige tamanhos gastos.

Várias pesquisas apontam que a popularidade de Obama está em queda, e que os norte-americanos têm dúvidas sobre suas recomendações para a saúde pública e a economia.

Obama disse que as pessoas estão "compreensivelmente enjoadas" do acúmulo de dívidas e gastos públicos, mas argumentou que o vigor da economia depende do controle dos gastos com saúde, que representam 17,6 por cento do PIB.

"Por isso tenho dito que, mesmo ao resgatar a economia de uma crise total, devemos reconstruí-la mais forte do que antes. E a reforma do seguro-saúde é central nesse esforço."

Ele também citou a explosão dos gastos públicos em programas de saúde para pobres e idosos, o Medicare e o Medicaid. Ele disse que, sem uma reforma da saúde, esses custos irão ampliar gravemente o déficit orçamentário.

"Então deixe-me ser claro: se não controlarmos esses custos, não seremos capazes de controlar o nosso déficit", disse ele.

Na quinta-feira, ele deve levar sua defesa da reforma da saúde a Cleveland, Ohio, um Estado industrial onde uma recente pesquisa da Universidade Quinnipiac mostrou que a aprovação ao seu trabalho caiu de 62 para 49 por cento.

Obama promoveu uma meta da sua reforma: a criação de uma opção de seguro-saúde estatal, ideia à qual os republicanos se opõem frontalmente, sentindo que a seguradora pública faria concorrência desleal às privadas.

Ele disse que a competição com o plano de seguros do governo pode impedir as seguradoras privadas de repassar seus custos aos consumidores. "Parte da razão pela qual queremos ter uma opção pública é apenas para ajudar a manter as empresas de seguro honestas."

Obama, que havia tido o cuidado de não comentar as várias propostas que tramitam no Capitólio sobre como pagar a reforma, manifestou apoio à proposta democrata de taxar os ricos.

Ele disse que uma sobretaxa às famílias que ganham mais de 1 milhão de dólares por ano "corresponde ao meu princípio" de não onerar as famílias de classe média por causa da reforma.

Ele insistiu que há impulso para aprovar a reforma, apesar das divisões no Congresso, e garantiu que os parlamentares estão mais próximos de um acordo quanto aos custos.

Obama prometeu ainda que não sancionará qualquer lei sobre saúde que eleve o déficit público ou que deixe de controlar os custos da saúde.

(Reportagem adicional de Matt Spetalnick e Richard Cowan)

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