Obama diz ter 'muito a aprender' com líderes sul-americanos

Segundo dia da Cúpula das Américas começa com reunião de países da Unasul; presidente americano participou

Agências internacionais,

18 de abril de 2009 | 11h02

 

PORT OF SPAIN- O presidente americano Barack Obama participou neste sábado, 18, de uma reunião com países da Unasul (União das Nações Sul-Americana) no início do segundo dia da 5.ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Antes de entrar na sala de reuniões, o chefe de Estado disse que "tem muito a aprender" com os líderes sul-americanos e busca "trabalhar em conjunto de maneira mais efetiva" com a região. Sobre Cuba, que tem se tornado o foco do encontro, Obama insiste que é necessário reformas políticas na ilha, com a qual anunciou um "recomeço" nas relações bilaterais.

 

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Havana e Washington trocaram vários gestos de aproximação na sexta-feira, primeiro dia da cúpula. A Casa Branca admitiu estar "impressionada" com a declaração do presidente cubano, Raúl Castro, na quinta-feira (de que está disposto a discutir sobre "tudo" com os EUA), mas disse esperar ações concretas - libertação de prisioneiros políticos e redução das taxas sobre remessas de cubano-americanos.

 

Em seu discurso no início da cúpula, Obama respondeu ao gesto de Raúl dizendo estar pronto para conversar sobre "uma vasta gama de assuntos" com o governo cubano. "Durante os últimos dois anos, eu disse e hoje repito que estou preparado para engajar minha administração numa série de conversas com o governo cubano, em assuntos como direitos humanos, liberdade de imprensa, reformas democráticas, luta contra as drogas, imigração e questões econômicas", afirmou.

 

"Não quero apenas conversar só por conversar. Acredito que podemos mover as relações entre os EUA e Cuba numa nova direção", acrescentou Obama. Antes, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou que derrubará uma resolução que excluiu Cuba da entidade em 1962, enquanto a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, elogiou a abertura de Raúl para o diálogo.

 

Ainda neste sábado, o presidente venezuelano Hugo Chávez deu um livro de presente a Obama - As Veias Abertas da América Latina, do escritor esquerdista uruguaio Eduardo Galeano. Obama recebeu o presidente com um sorriso. Na sexta, os dois trocaram cumprimentos e o chefe de Estado venezuelano, forte crítico da administração americana, disse que querer ser "amigo" do líder americano. Neste sábado, os 34 presidentes participarão de três sessões plenárias, além de um jantar oficial. Também está previsto um show cultural.

 

CRÍTICAS

 

Durante o primeiro dia do evento, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o nicaraguense, Daniel Ortega, não pouparam críticas ao embargo americano contra Cuba. Cristina afirmou que as sanções são "anacrônicas" e não levam em conta a realidade atual, enquanto Ortega disse sentir "vergonha" de participar de uma cúpula sem a presença de Cuba e Porto Rico. O presidente de Nicarágua ainda acusou os EUA de manterem "políticas colonialistas."

 

Pouco depois, Obama respondeu às afirmações de Ortega com ironia. "Acho que, como disseram alguns dos oradores que me precederam, devemos aprender com a história, mas não devemos ficar presos a

ela", disse ele, destacando que tinha apenas três meses de idade quando ocorreu a frustrada invasão americana a Cuba em 1961.

 

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