Obama em problemas para ter apoio de brancos na Pensilvânia

Declarações sobre amargura do eleitor de cidade pequena pode prejudicar desempenho nas prévias de terça

JON HURDLE, REUTERS

21 de abril de 2008 | 11h14

Os esforços de Barack Obama, pré-candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, para conseguir o apoio do eleitorado branco nas prévias da Pensilvânia foram prejudicados por seus comentários sobre a amargura dos moradores das pequenas cidades e por sua ligação com um pastor polêmico, afirmaram moradores de Muncy Valley.  Veja também:Hillary e Obama intensificam ataques na véspera de préviasChelsea oferece contraponto 'light' a Hillary Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  Habitantes do local acusaram o pré-candidato de ser arrogante, antipatriótico e anticristão depois de suas declarações sobre os moradores das pequenas cidades da Pensilvânia e de outros Estados estarem amargurados devido à perda de empregos. Segundo Obama, essas pessoas, em vista das demissões, tinham se voltado a tradições como as armas, a religião e sentimentos de aversão aos imigrantes.  "Ele disse que as pessoas são fracas, burras e ingênuas. E que buscariam a religião como uma muleta para aguentar essa situação", afirmou Darwin Whitmoyer, 54, um caminhoneiro. Whitmoyer abastecia seu veículo em um posto de gasolina dessa cidade de cerca de cem moradores, localizada 240 quilômetros a noroeste de Filadélfia. "Ele acabou por prejudicar-se (com essas declarações)." Enquanto a maior parte dos eleitores negros da Pensilvânia apóia Obama nessas prévias consideradas cruciais, apenas 35% dos brancos disseram pretender votar nele. Já 53% dos brancos declararam seu apoio à pré-candidata Hillary Clinton, revelou uma pesquisa da Newsmax/Zogby divulgada na quinta-feira. A população da Pensilvânia compõe-se de cerca de 85% de brancos e 11% de negros. O restante é quase todo de origem hispânica. Segundo Whitmoyer, a afirmativa de Obama sobre as armas serem um símbolo da cultura rural do país foi interpretada por moradores da região como um sinal de que o democrata restringirá o uso delas caso vença a eleição presidencial. "Se ele não é a favor das armas, então é contra as armas", disse Whitmoyer. "Ele acabou por queimar-se com todos os que possuem armas." Whitmoyer, que deve votar em Hillary, segundo contou, afirmou ainda que não aprova o fato de Obama ser favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e que desconfia do apoio dado pela apresentadora de TV Oprah Winfrey ao pré-candidato. "Qualquer um que caminhe com o verdadeiro Cristo ficará contra Obama", afirmou o caminhoneiro, cujo veículo exibia a seguinte mensagem: "Estou salvo, Jesus é o Senhor!". Whitmoyer acrescentou: "A questão religiosa irá prejudicá-lo". Na oficina mecânica Steve's Saw, do outro lado da rua, Steve Peterman, proprietário do local, disse ter ficado ofendido com as declarações do reverendo Jeremiah Wright, ex-pastor de Obama. Wright afirmou que os ataques de 11 de setembro de 2001 representavam uma vingança pela política externa adotada pelos EUA. O pastor ainda manifestou sua indignação com o que descreveu como sendo a "América racista".

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