Obama encontra Bento XVI e faz passagem relâmpago por Gana

Na 1.ª visita oficial à África Subsaariana, presidente americano passará menos de 24 horas e evitará multidões

10 de julho de 2009 | 08h38

A Casa Branca espera uma "franca" e construtiva conversa entre o presidente americano, Barack Obama, e o papa Bento XVI nesta sexta-feira, 10, no Vaticano, segundo afirmaram funcionários americanos. Ambos compartilham visões sobre questões como a ajuda aos mais pobres e a paz no Oriente Médio, mas possuem diferenças nas suas posições sobre o aborto e as pesquisas com células tronco.

 

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A reunião provocou grande expectativa, já que alguns ativistas católicos e americanos criticaram Obama por sua posição. Ainda assim, o presidente americano recebeu a maioria dos votos dos católicos. A vitória de Obama representou um desafio para o Vaticano após os oito anos de opiniões em comum com o ex-presidente George W. Bush, que era contra o aborto, tema que os aproximou apesar da oposição do Vaticano sobre a guerra no Iraque.

 

"Acredito que será uma conversa franca", afirmou o porta-voz de Obama, Robert Gibbs, nesta semana. "Acredito que existem muitas coisas que os dois estão de acordo e terão a oportunidade de falar", como a redução do número de armas nucleares no mundo e a aproximação com o mundo muçulmano.

 

Passagem pela África

 

Após o encontro com o papa, Obama segue para Gana, a primeira visita do presidente à chamada África Negra, considerada uma decepção. Obama chega ao país para uma passagem relâmpago de menos de 24 horas, depois de ter "reiniciado" relações com Moscou, participado da cúpula do G-8 na Itália e conversado com o papa no Vaticano. Assessores do presidente admitem que gostariam de dedicar à África um tour exclusivo, mas "a agenda" de Obama não teria permitido. Ao final, Gana foi encaixada entre a Europa e a volta aos EUA.

 

Se confirmada, a lição da visita será amarga: o continente africano continua desinteressante para Washington, mesmo com a Casa Branca sob o inédito comando de um afro-americano. O desconforto nos bastidores começou com a própria escolha de Gana como primeiro destino do presidente na África (à exceção do Egito).

 

O Quênia, terra da família paterna de Obama, acreditava ser o candidato natural a primeiro destino. Quenianos acompanharam de perto a trajetória de Obama e o dia da sua posse foi declarado feriado nacional. Mas a Casa Branca preferiu driblar Nairóbi. O motivo seria a tormenta pela qual passa o país desde as eleições de 2008, quando o então opositor Raila Odinga, da etnia luo, não reconheceu a vitória de Mwai Kibaki, um kikuyo. Choques sectários deixaram mil mortos, até que um pacto levou Odinga ao cargo de premiê e Kibaki à presidência. País mais populoso da África e grande fornecedor de petróleo para os EUA, a Nigéria também se mostrou decepcionada com a opção por Gana.

 

Em nota, a Casa Branca justificou a escolha argumentando que deseja "sublinhar a importância da boa governança e da sociedade civil para o desenvolvimento" na África - e Gana seria um exemplo de estabilidade. Acra livrou-se do domínio britânico em 1957 e, após sucessivos golpes, o ex-presidente Jerry Rawlings implementou em 1992 um sistema multipartidário. Desde então, opositores já chegaram duas vezes ao poder por meio de eleições.

 

A agenda de Obama em Acra inclui uma visita ao Castelo do Cabo da Costa, onde escravos partiam para as Américas até o século 19. Obama só falará no Parlamento ganense, já que Washington quis evitar discursos abertos ao público. Em 1998, o presidente Bill Clinton quase causou uma tragédia ao falar para 500 mil ganenses. Na confusão, Clinton chegou a pular na multidão - para o desespero de seus seguranças -, tentando ajudar uma mulher.

 

(Com Roberto Simon, de O Estado de S. Paulo)

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