Obama enviará mais 30 mil soldados ao Afeganistão em 6 meses

Plano faz parte da nova estratégia dos EUA para a guerra no país asiático que será anunciada às 23h desta terça

estadao.com.br,

01 de dezembro de 2009 | 13h54

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará nesta terça-feira, 1, que enviará mais 30 mil soldados americanos ao Afeganistão em seis meses, num rápido aumento de tropas, mas ao mesmo tempo a duração do serviço no Afeganistão será limitada, disse um funcionário do governo americano. Todos os soldados deverão estar no Afeganistão até julho de 2010.

 

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Após três meses de deliberações vistas por alguns críticos como atraso e indecisão, Obama deve apresentar seu plano em um discurso para cadetes da Academia Militar dos EUA em West Point, Nova York. O anúncio desta noite revelará a aguardada mudança na estratégia de guerra com a qual ele espera derrotar o Taleban e permitir a saída dos EUA do Afeganistão.

 

As tropas deverão ser lideradas pelos fuzileiros navais de Camp Lejune, na Carolina do Norte, e poderão partir ainda em dezembro, como parte do plano para acelerar tanto o envio dos soldados quanto a futura partida deles do Afeganistão, de acordo com um funcionário da Casa Branca. Os reforços serão enviados mais rápido do que se imaginava. Antes, se esperava que levasse pelo menos um ano até que todos os soldados fossem enviados ao fronte de batalha.

 

Os fuzileiros navais deverão lutar na província afegã de Helmand, onde os EUA já possuem bases. As demais tropas deverão integrar o Exército, incluídos soldados da base de Fort Campbell, que deverão ser enviados à província afegã de Kandahar. Um outro funcionário, que também falou sob anonimato antes do anúncio de Obama, que será feito mais tarde, disse que o presidente insistirá no estabelecimento de uma etapa final para o novo envio de tropas.

 

Obama decidiu que os planos para um lento aumento de tropas adicionais para a guerra de oito anos não funcionarão, então ordenou um fluxo bem mais rápido de soldados ao Afeganistão, disse o funcionário. A duração do envio das tropas adicionais, que elevarão a 100 mil o total de soldados norte-americanos no Afeganistão, não estava imediatamente clara.

 

Num discurso que poderá ser definidor da sua presidência e uma aposta que poderá ter peso nas chances de Obama obter um segundo mandato, o presidente se dirigirá ao país inteiro no discurso transmitido pela televisão na noite de hoje (23h do horário de Brasília). Obama espera restaurar o apoio ao esforço da guerra afegã, em meio a um público americano cada vez mais pessimista sobre o sucesso. O presidente americano pretende enfatizar que os EUA não assumiram um "compromisso por tempo indeterminado" no Afeganistão, mas querem entregar o poder a forças afegãs novamente treinadas e começar a retirar suas forças assim que isso for praticável.

 

Obama não deverá fixar uma data específica para a retirada americana. A estratégia prevê um aumento das tropas em várias etapas, seguida por uma retirada gradual e a entrega da responsabilidade pela segurança às forças afegãs nos próximos três a cinco anos, disseram assessores.

 

Ao mesmo tempo, segundo o funcionário, Obama pede que os países aliados da organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enviem entre 5 mil e 10 mil soldados para o Afeganistão. Ainda não está claro como o pedido de Obama será recebido pela Otan, uma vez que a guerra afegã é ainda mais impopular na Europa que nos EUA. A principal missão das novas tropas será reverter os ganhos do grupo fundamentalista Taleban e garantir a segurança nas cidades do sul e do leste afegãos.

 

Apoio afegão

 

Antes do discurso, Obama falou por uma hora por videoconferência com o presidente afegão Hamid Karzai. Washington vem tendo uma relação tensa com Karzai desde que Obama chegou ao poder. A tensão se agravou nos últimos três meses em função da eleição presidencial afegã marcada por acusações de fraudes. Obama também pretende persuadir Karzai, que deve escolher os integrantes de seu novo gabinete nos próximos dias, a reprimir a corrupção e melhorar a governança, em troca do apoio americano.

 

Na posse do líder afegão, no mês passado, os dois lados minimizaram suas diferenças. Karzai prometeu combater a corrupção, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, elogiou as medidas que ele anunciou. Também se prevê que Obama enfatize a necessidade de o Paquistão fazer mais para combater militantes que atravessaram a fronteira do Afeganistão. A administração já disse que acertar a política em Islamabad é tão importante quanto em Cabul.

 

(Com Reuters e Associated Press)

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