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Obama evitará política em discurso para escolares nesta 3ª

Casa Branca diz que líder citará sua história como exemplo; fala será transmitida ao vivo pelo site da Casa Branca

Gustavo Chacra, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2009 | 07h36

Depois de duras críticas de conservadores e republicanos americanos, a Casa Branca antecipou a divulgação do teor do discurso que o presidente Barack Obama fará a estudantes nesta terça-feira, 8, no início do ano letivo nos EUA. A iniciativa busca mostrar a pais e professores que a ênfase será "a responsabilidade pessoal dos alunos" e provar que não haverá nenhuma conotação política no pronunciamento. O discurso será transmitido ao vivo pelo site da Casa Branca a partir das 13 horas (hora de Brasília)

 

Grupos conservadores haviam atacado o discurso de antemão por não achar certo que alunos percam tempo de aula para ouvir o presidente. Opositores também se incomodaram com a proposta feita pela Casa Branca de os estudantes escreverem cartas sobre como ajudar o presidente. Eles afirmaram que a ideia era uma intervenção na liberdade dos alunos. Andrea Tantaros, colunista conservador da rede Fox News, disse que esse tipo de redação era comum em lugares como "Coreia do Norte e URSS". Ao final, a equipe Obama cancelou a proposta.

 

O discurso de 18 minutos será feito em uma escola de Arlington, no Estado da Virginia, e terá transmissão em rede nacional. Obama, como já se tornou tradição desde sua campanha eleitoral, abordará sua história pessoal para incentivar os alunos a estudar.

 

"Meu pai abandonou minha família quando eu tinha 2 anos e fui educado por uma mãe solteira que lutou para pagar as contas e, algumas vezes, não pôde nos proporcionar o que outras crianças tinham. Algumas horas, sentia falta de não ter um pai. Outras vezes, me sentia só e pouco integrado", diz o texto divulgado pela Casa Branca.

 

Exemplo de americanos comuns - outra constante nos discursos de Obama - também serão utilizados. O presidente citará o caso de uma menina que não sabia falar inglês, mas conseguiu aprender e, com esforço, conseguiu se formar na prestigiosa Universidade Brown e hoje faz pós-graduação em saúde pública. O texto também menciona um jovem que superou um câncer no cérebro quando tinha 2 anos e hoje estuda em uma universidade.

 

Celebridades como o jogador de basquete Michael Jordan, "que foi cortado de seu time no colégio", e a escritora JK Rowling, autora de Harry Potter, "que teve seu livro rejeitado 12 vezes antes de conseguir publicá-lo", serão usadas como casos de superação.

 

Nem o Twitter, Google e Facebook ficaram de fora do discurso de Obama. "Os fundadores (desses sites) estavam sentados onde vocês estão há 20 anos e mudaram a forma como nos comunicamos."

 

Obama também dirá aos estudantes: "Podemos ter os professores mais dedicados, os mais atenciosos pais e as melhores escolas do mundo. E nada disso importará a não ser que vocês todos cumpram com as suas responsabilidades; e a não ser que vocês frequentem estas escolas, prestem atenção a seus professores, escutem seus pais, avós e outros adultos e trabalhem duro para conseguir ter sucesso."

 

Nenhum aluno será obrigado a ouvir o discurso do presidente. Atividades já estão programadas para aqueles que optarem por não ver Obama.

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