Obama exige que Coreia do Norte abandone armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a Coreia do Norte deve cumprir seu compromisso de abandonar as armas nucleares, e manifestou apoio à aliada Coreia do Sul numa nova rodada de negociações com o regime comunista do Norte.

ANDREW QUINN E JACK KIM, REUTERS

26 de janeiro de 2011 | 09h32

Seul anunciou na quarta-feira que irá realizar sua primeira reunião com autoridades norte-coreanas desde o bombardeio que matou quatro pessoas em uma ilha sul-coreana, em novembro.

"A respeito da península coreana, estamos com nossa aliada Coreia do Sul, e insistimos para que a Coreia do Norte mantenha seu compromisso de abandonar as armas nucleares", disse Obama em seu discurso do Estado da União, na noite de terça-feira (madrugada de quarta, pelo horário de Brasília).

As duas Coreias vão se reunir em 11 de fevereiro na localidade fronteiriça de Panmunjom, para discutir - inicialmente em âmbito militar de escalão inferior - o bombardeio à ilha de Yeonpyeong e o naufrágio da corveta sul-coreana Cheonan, que matou 46 marinheiros em março.

Seul admite manter reuniões de escalão mais elevado, possivelmente até de nível ministerial, se Pyongyang aceitar a responsabilidade pelos ataques e prometer não repetir as provocações.

A chancelaria norte-coreana disse estar disposta a "construir a confiança por meio do diálogo e das negociações..., e trabalhar para que isso aconteça."

A Coreia do Norte nega envolvimento no naufrágio da corveta, e diz que o bombardeio à ilha foi uma resposta a disparos sul-coreanos contra suas águas territoriais.

O Sul também deseja, separadamente, um diálogo bilateral sobre a desnuclearização norte-coreana, enquanto a Coreia do Norte, premida por uma grave crise econômica, pleiteia a retomada das negociações multilaterais sobre a troca de desarmamento por ajuda. A própria Coreia do Norte abandonou há dois anos essas negociações, que envolvem também EUA, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul.

Poucos acreditam que Pyongyang tenha realmente a intenção de cumprir sua promessa de desnuclearização feita em 2005. Em novembro do ano passado, o regime comunista revelou ter um programa de enriquecimento de urânio, o que lhe dá um segundo caminho para desenvolver armas nucleares, além da bomba de plutônio.

EUA e China - única aliada importante de Pyongyang - têm pressionado as duas Coreias a resolverem os impasses mais recentes antes da retomada do processo multilateral.

Mas analistas duvidam que o Norte mude de posição a respeito do naufrágio da Cheonan. Acham mais provável, no entanto, que Pyongyang lamente a morte de dois civis durante o bombardeio de novembro à ilha de Yeonpyeong.

(Reportagem adicional de Danbee Moon e Jeremy Laurence em Seul)

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