Obama exige que Irã seja claro sobre programa nuclear

Fortalecido pelo apoio de outras potências mundiais, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avisou o Irã nesta sexta-feira que deve ser claro sobre seu programa nuclear nas conversações da semana que vem, do contrário poderá enfrentar "sanções de forte efeito."

MATT S, REUTERS

25 de setembro de 2009 | 21h30

Obama fez a firme advertência no fim da cúpula do G20 em Pittsburgh, onde ele e os líderes da Grã-Bretanha e da França acusaram o Irã de construir uma usina secreta de energia nuclear, violando leis internacionais.

"A comunidade internacional falou. Cabe agora ao Irã responder", disse Obama em entrevista à imprensa.

A nova revelação do escopo do controverso programa nuclear do Irã adicionou um novo senso de urgência às conversações entre o Irã, os EUA e as cinco outras potências em 1o de outubro, em Genebra.

No início do dia, Obama, ao lado do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, acusou o Irã de estar construindo em segredo há vários anos uma segunda usina de enriquecimento de urânio, perto da cidade sagrada de Qom.

Obama disse que os EUA e seus aliados estão "totalmente" confiantes em relação às suas informações de inteligência sobre a instalação nuclear clandestina.

Mas o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, insistiu que a planta nuclear está dentro dos parâmetros das normas da agência de supervisão nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) e que não há nenhum problema quanto a permitir a visita do local por inspetores internacionais.

"Não é um local secreto", disse Ahmadinejad em entrevista à imprensa, em Nova York, dizendo que os EUA, Grã-Bretanha e França vão se arrepender dessas acusações.

Ahmadinejad afirmou que Israel "não ousaria atacar" o Irã e que os iranianos são capazes de se defender.

O Irã admitiu pela primeira vez na segunda-feira a existência da instalação em uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), uma revelação que as autoridades dos EUA disseram ter como objetivo se antecipar às acusações dos governos ocidentais.

Obama disse que preferia o caminho diplomático com o Irã, mas acrescentou que "Nós não descartamos nenhuma opção."

"Quando nós descobrirmos que a diplomacia não funciona, nós estaremos em uma posição mais forte para, por exemplo, impor sanções de forte efeito", disse Obama.

Grã-Bretanha, França e Alemanha também mencionaram a possibilidade de novas e duras sanções, enquanto a Rússia --anteriormente relutante em levar adiante mais punições-- mostrou maior propensão a considerar essa alternativa. A China também expressou preocupação com as atividades nucleares do Irã e pediu uma solução negociada.

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