Obama faz visita oficial a Porto Rico de olho em voto hispânico

Barack Obama protagonizou na terça-feira a primeira visita oficial de um presidente dos Estados Unidos a Porto Rico em 50 anos, cortejando uma fatia importante de eleitores hispânicos que podem ajudá-lo na reeleição em 2012.

ALISTER BULL, REUTERS

14 de junho de 2011 | 18h53

Na cerimônia de chegada, feita em um hangar, Obama manifestou apoio para uma eventual decisão dos porto-riquenhos sobre o status da ilha norte-americana e disse que sua administração trabalhava para reforçar a economia atingida pela recessão.

"Quando o povo de Porto Rico tomar uma decisão clara, o meu governo estará ao lado de vocês", disse ele a uma multidão. "Estamos dando aos porto-riquenhos as ferramentas que eles precisam para construir o seu próprio futuro. Vamos empregar as pessoas aqui em Porto Rico e em todo os Estados Unidos."

Os porto-riquenhos compõem um importante bloco de eleitores. Eles podem equilibrar as chances de Obama na Flórida, onde venceu em 2008, já que os cubanos da região tendem aos republicanos. O Estado será necessário para garantir um segundo mandato na Casa Branca para Obama.

Milhares acompanharam a passagem do presidente pelas ruas rumo à mansão do governador, no histórico distrito de San Juan, agitando bandeiras dos EUA e exibindo alguns cartazes exigindo "Status de Estado Agora."

Cerca de 4,6 milhões de porto-riquenhos moram nos Estados Unidos, onde podem votar nas eleições presidenciais, mais do que os 3,9 milhões que vivem no território norte-americano de Porto Rico e que podem votar apenas nas eleições presidenciais primárias.

Isso poderia ser decisivo no ano que vem na Flórida, onde Obama venceu o seu adversário republicano John McCain em 2008 por mais de 200 mil votos, ou 2,5 pontos percentuais. Pesquisas de opinião mostram, contudo, que o Estado agora é uma incerteza.

O desemprego na Flórida estava em 10,8 por cento em abril, comparado aos 9 por cento da média nacional naquele mês, e a capacidade de Obama de se conectar com os porto-riquenhos pode se provar vital.

Vários deles vivem ao redor de Orlando, em Orange County, no centro da Flórida, e fizeram parte do grupo que garantiu a sua vitória no Estado na última eleição.

"Nenhum presidente democrata desde Franklin Delano Roosevelt venceu em Orange County até 2008 ... Eu acredito fortemente que foi o voto porto-riquenho que tornou isso possível", disse Luis Martinez-Fernandez, professor de História da Universidade da Florida Central, Orlando.

O último presidente dos EUA a pisar em Porto Rico foi Gerald Ford em um encontro do G7 em 1976, o que não foi considerado uma visita oficial.

Os latinos apoiaram Obama em 2008, mas estão decepcionados com sua incapacidade de realizar a reforma da imigração que prometeu na campanha de 2008. Um novo apoio não pode ser tido como certo, especialmente depois que foram desproporcionalmente atingidos pelos cortes nos empregos.

"Estamos tentando garantir que cada família nesta ilha consiga encontrar trabalho e possa sustentar os filhos. É por isso que o nosso plano econômico e a reforma da saúde incluíram auxílio para Porto Rico", disse Obama.

Os porto-riquenhos compõem o segundo maior grupo dentro da comunidade hispânica de 50,5 milhões nos EUA, atrás apenas dos mexicanos. Como um bloco, os hispânicos representam 10 por cento dos eleitores do país, segundo o Pew Hispanic Center, mas estão no segmento dos eleitores que cresce mais rapidamente.

Além disso, como todos os porto-riquenhos são cidadãos dos EUA que podem votar se registrados, eles são muito mais fáceis de conquistar para participar de organização de campanha e iniciativas de registro para voto.

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