Obama homenageia mortos e promete pesar decisões em guerra

Presidente recepciona corpos de 18 militares no mês mais mortífero para as tropas em missão no Afeganistão

Efe e Reuters,

29 de outubro de 2009 | 07h56

Foto: AP

 

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viu em primeira mão o custo humano da guerra do Afeganistão na quinta-feira, quando prestou uma homenagem a vítimas do conflito, diante dos caixões enrolados em bandeiras de 18 soldados e de agentes do DEA (agência contra as drogas) mortos nesta semana. O presidente americano afirmou que a visão dos combatentes voltando sem vida para casa irá pesar "muito seriamente" nas decisões que irá tomar sobre a Guerra do Afeganistão.

 

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A visita não anunciada acontece enquanto Obama estuda se vai enviar mais soldados ao Afeganistão para combater uma insurgência que alcançou seu maior nível em oito anos. Sua primeira visita como presidente à base aérea de Dover, ponto de entrada ao país dos corpos de militares americanos mortos, acontece no pior mês para os EUA no Afeganistão, onde 55 americanos morreram.

 

Minutos antes da chegada de Obama, uma aeronave de transporte C-17 da Força Aérea aterrissou na base, carregando os corpos de oito soldados do Exército, mortos por uma bomba à beira da estrada, e de sete soldados e três agentes da DEA mortos em uma queda de helicóptero. Um capelão do Exército acompanhava Obama e outros oficiais a bordo e fez uma oração sobre cada caixão antes que fossem retirados da aeronave, disseram oficiais.

 

A maior parte do evento foi fechada à mídia e os jornalistas só puderam testemunhar a transferência do último caixão. Sob um clima frio, Obama marchou ao lado de quatro autoridades para a aeronave, entre elas o procurador-geral Eric Holder e a chefe da DEA Michele Leonhart. Eles subiram a rampa fora da vista da mídia. Depois de alguns momentos, voltaram e ficaram em fila debaixo da cauda do C-17.

 

Obama ficou em posição de sentido e fez uma saudação diante do seis caixões com corpos dos soldados. Antes, o presidente havia se encontrado com as famílias dos soldados e agentes mortos na capela da base, disseram autoridades.

 

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou posteriormente que durante o voo de helicóptero que levou Obama embora da base de Dover, o presidente americano permaneceu calado. "Não creio que alguém poderia ir ali e não entender o que está acontecendo", declarou Gibbs.  

 

Até então, o mês mais violento era agosto, quando 51 militares foram mortos em meio a uma onda de ataques do Taleban durante o primeiro turno das eleições presidenciais afegãs. Setembro e outubro também foram os meses mais violentos para as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região.

 

Pesquisas mostram que os norte-americanos estão cada vez mais cansados da guerra, que, segundo analistas, vai ajudar a definir a presidência de Obama. Há ceticismo, inclusive entre seus companheiros democratas que controlam o Congresso, sobre o envio de mais tropas ao país.

 

Era Bush

 

Durante o período em que George W. Bush governou os Estados Unidos, a cobertura jornalística da chegada de caixões com os corpos de soldados mortos em combate estava proibida. O ex-presidente americano nunca foi à base aérea de Dover homenagear os combatentes - preferia se reunir em particular com as famílias dos soldados.

 

Já Obama prefere dar a opção para que cada família decida individualmente se a chegada do corpo de seu ente pode ser coberta pela imprensa.

 

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