Obama leva agenda reforçada em viagem à Europa

O presidente dos EUA, Barack Obama, embarcou para a Europa na terça-feira com uma agenda reforçada para fazer frente à crise econômica e buscar apoio para sua nova estratégia para o Afeganistão, numa viagem que vai pôr à prova sua liderança global.

CAREN BOHAN, REUTERS

31 de março de 2009 | 12h22

Em sua primeira viagem importante ao exterior desde que tomou posse, em janeiro, Obama vai começar a deslocar seu foco para a economia e diplomacia internacionais, depois de alguns meses de ênfase forte sobre questões domésticas.

Obama embarcou na manhã de terça-feira para Londres, onde assistirá à cúpula do G20, o grupo das 20 maiores economias. Em seguida, viajará até a fronteira entre França e Alemanha para uma cúpula da Otan, antes de fazer escalas na República Tcheca e na Turquia.

Sua programação inclui reuniões nos bastidores do G20 com os líderes da Rússia e China, além de outros países.

O presidente norte-americano democrata espera capitalizar em cima de uma reserva de boa vontade existente em relação a ele, em função da mudança de política e estilo em relação a seu antecessor republicano, George W. Bush, que era impopular no exterior.

Analistas disseram que o entusiasmo do público europeu em relação a Obama deve assegurar um tom positivo em seus encontros com aliados como o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel.

Mas as recepção pessoal calorosa que Obama pode ter pode não ajudá-lo a pressionar seus aliados europeus a gastarem mais para resgatar a economia global e oferecer mais tropas e recursos para a guerra no Afeganistão.

"Obviamente, Obama tem muito carisma, e essa é sua primeira reunião grande. E acho que as pessoas tendem a ser muito corteses nessas situações, mas é possível que também haja algum constrangimento," disse Simon Johnson, ex-economista chefe do FMI e hoje professor do Massachusetts Institute of Technology.

Um dos temas da cúpula econômica será a idéia vigente em muitos países de que os EUA são o grande culpado pelo derretimento financeiro global, devido a sua regulamentação financeira frouxa e à bolha imobiliária residencial americana, alimentada por dívidas.

Obama vem procurando distanciar-se da política regulatória da era Bush. Ele vai levar ao G20 uma gama de propostas para impor nova regulamentação a fundos de hedge e outros e para dar ao governo americano poderes maiores para tratar com empresas financeiras vistas como "grandes demais para que se possa permitir que vão à falência".

"Ele deve poder ir lá e dizer 'nada disso foi minha culpa e estou arrumando a casa o mais rapidamente que consigo'", disse Johnson.

Mas a nuvem de culpa que paira sobre os EUA é uma razão pela qual Obama enfrenta relutância entre os europeus em seguir seu exemplo e adotar grandes planos de estímulo econômico fiscal, como seu pacote de recuperação de 787 bilhões de dólares, disse Johnson.

Assessores da Casa Branca vêm procurando administrar as expectativas antes da cúpula do G20, dizendo a repórteres que Washington não está necessariamente pedindo aos países que gastem mais de imediato.

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