Obama ordena revisão nuclear e vê risco no Japão

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse na quinta-feira que ordenou uma revisão completa das instalações nucleares dos Estados Unidos.

JEFF MASON E PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

17 de março de 2011 | 19h14

Ele afirmou que a radiação emitida por uma usina nuclear danificada por um terremoto no Japão representa um "risco substancial" para as pessoas próximas.

Em discurso na Casa Branca, Obama manifestou confiança de que o Japão irá se recuperar da atual crise causada por um terremoto de magnitude 9, um tsunami e o incidente nuclear, uma conjunção que aparentemente está acima da capacidade de reação do governo japonês.

Obama disse que os EUA não trabalham com a hipótese de que a radiação da usina japonesa de Fukushima Daiichi possa atingir seu território, e afirmou que os norte-americanos não precisam tomar nenhuma precaução exceto permanecerem bem informados.

"Estamos trabalhando agressivamente para apoiar nossos aliados japoneses neste momento de desafio extraordinário", disse ele.

"O Exército dos EUA, que há décadas ajuda a garantir a segurança do Japão, está trabalhando o tempo todo. Até agora enviamos por via aérea centenas de missões de apoio aos esforços de recuperação."

O chefe da autoridade reguladora de energia nuclear dos EUA, Gregory Jaczko, disse que seu país está empenhando em oferecer ideias e eventualmente equipamentos para ajudar o Japão a resfriar a superaquecida usina nuclear, 240 quilômetros ao norte de Tóquio. A agência coordenada por Jaczko irá realizar a revisão solicitada por Obama.

"Quando vemos uma crise como a do Japão, temos a responsabilidade de aprender com esse fato e tirar as lições para garantir a segurança de nosso povo", disse Obama, que embarca na sexta-feira para uma viagem ao Brasil, Chile e El Salvador.

Na quinta-feira, Obama foi à embaixada japonesa para assinar um livro de condolências, e disse que seu governo sente uma "grande urgência" em ajudar o Japão.

Ao mesmo tempo em que oferece ajuda, o governo dos EUA orienta seus cidadãos a deixarem o Japão, e já enviou aviões fretados para retirar seu pessoal diplomático e militar e os respectivos familiares.

Embora sejam aliados incondicionais, os governos dos EUA e Japão demonstram ter opiniões diferentes sobre a zona de perigo em torno da usina danificada.

O Departamento de Estado dos EUA recomenda a seus cidadãos que deixem uma zona em torno de 80 quilômetros da usina, ou evitem sair de casa.

Já o Japão recomendou a retirada da população num raio de 20 quilômetros, e orientou que as pessoas evitem sair de casa se estiverem a uma distância de 20 a 30 quilômetros.

"Mesmo que as equipes de emergência japonesas continuem fazendo um trabalho heroico, sabemos que o dano aos reatores nucleares na usina de Fukushima Daiichi apresentam um risco substancial para as pessoas que estão próximas", disse Obama.

"É por isso que ontem (quarta-feira) nós pedimos uma retirada dos cidadãos americanos que estão a 80 quilômetros da usina. Essa decisão foi baseada numa cuidadosa avaliação científica."

A Casa Branca disse que Obama está confiante de que o Japão tem plena consciência sobre a gravidade da crise que enfrenta.

(Reportagem adicional de Andrew Quinn, Phil Stewart e Emily Stephenson)

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