Obama pede desculpas a polícia de Cambridge

Presidente disse que poderia ter medido suas palavras e convidou professor negro e policial a ir à Casa Branca

Associated Press,

25 de julho de 2009 | 13h11

O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu neste sábado que não fez uma boa escolha de palavras ao dizer que o policial que prendeu um professor negro da Universidade de Havard, em Cambridge, agiu "de forma estúpida".

 

"Isso foi se acumulando, e eu obviamente contribui com isso", admitiu Obama. "Quero deixar claro que em minhas palavras, infelizmente eu deixei a impressão de que estava crucificando a Polícia de Cambridge e o oficial Crowley especificamente. Eu poderia ter medido minhas palavras", admitiu o presidente. "Isso reteve muita atenção, e isso prova que esse assunto ainda é muito sensível nos EUA", completou.

 

Obama telefonou aos dois homens, o professor Henry Louis Gates Jr. e o policial James Crowley, no intuito de colocar um fim às discussões sobre o ocorrido que inspirou o comentário de Obama. Ambos foram convidados a visitar o presidente na Casa Branca.

 

Gates contou ao jornal Boston Globe por email na última sexta-feira dizendo que conversou com Obama e que se encontraria com o policial que o prendeu. O professor disse que espera que o encontro com Crowley sirva para amenizar as ações racistas no mundo.

 

"Toda minha carreira acadêmica foi inspirada pela melhora nas relações raciais. É hora de todos nós progredirmos, e de absorvermos tudo o que for possível como experiência", disse Gates no email.

 

Crowley não foi encontrado após receber o convite, mas a polícia de Massachusetts disse ter gostado do "interesse sincero" do presidente e acrescentou dizendo que o policial teve uma conversa amistosa com Obama.

 

O caso

 

A polícia compareceu à casa de Gates no dia 16 de julho de uma mulher ligar para a delegacia e dizer que dois homens negros com mochilas tentaram forçar a porta da frente de sua casa. Segundo Gates, ele retornava de uma viagem com seu motorista, encontrou a porta arrombada e tentou forçá-la para abrir. Quando a polícia chegou, o professor, que havia entrado na casa pela porta dos fundos, estava falando com a empresa responsável pela propriedade pelo telefone.

 

Segundo a polícia, Gates xingou os oficiais após o oficial James Crowley, que é branco, pedir sua identificação para provar que ele poderia estar na casa. Gates, então, acusou o policial de racismo, recusou-se a se acalmar e foi algemado.

 

Gates garante que se identificou quando Crowley pediu. O professor disse que foi preso ao acompanhar o policial para fora a casa e pediu o nome e o número do registro do oficial porque prestaria queixa sobre o tratamento que teve. Crowley se recusou a pedir desculpas e disse que apenas seguiu o protocolo.

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