Obama pede mais trabalho para colocar finanças dos EUA em ordem

O presidente norte-americano, Barack Obama, pediu aos legisladores neste sábado que deixem de lado as divisões partidárias, depois de uma batalha sobre o teto da dívida do país, que trabalhem juntos para colocar os Estados Unidos em ordem e se foquem em estimular a economia estagnada.

MATT S, REUTERS

06 de agosto de 2011 | 11h31

Obama fez o apelo durante o programa semanal de rádio gravado horas antes dos EUA perderem a nota máxima de crédito "AAA" concedida pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, uma decisão que pode ter duras repercussões.

Obama, cuja reeleição em 2012 pode ser definida pela sua capacidade de reduzir a alta taxa de desemprego, pediu ao Congresso que apoie medidas para dar alívio fiscal à classe média, aumentar benefícios aos desempregados e aprovar acordos internacionais de comércio que estão parados há tempos.

Mas, ao mesmo tempo, Obama --que recebeu de antemão a informação da S&P-- pediu para que tanto democratas quanto republicanos cumpram o acordo fechado em Washington nesta semana que evitou a ameaça de moratória.

"O Congresso chegou a um acordo que vai permitir que tenhamos progresso em reduzir o deficit orçamentário da nossa nação," disse ele. "E com essa concessão dos dois lados os partidos terão que trabalhar juntos em um plano maior que coloque as finanças da nação em ordem. No longo prazo, a saúde da nossa economia depende disso".

Obama também ressaltou que, "no curto prazo, a nossa missão urgente é fazer a economia crescer rapidamente e criar empregos."

Ele está tentando superar a divergência partidária que surgiu após o acordo de redução do deficit de 2,1 trilhões de dólares fechado com os republicanos para evitar que o governo ficasse sem recursos para pagar suas contas.

Mas o número foi menor que os 4 trilhões de dólares em dez anos que a S&P acreditava ser necessário para colocar a principal economia do mundo em bases fiscais sólidas e evitar a redução na classificação.

A S&P também citou a batalha política em Washington para aumentar o limite do endividamento dos EUA para 14,3 trilhões de dólares como uma fonte de incerteza para o futuro.

O rebaixamento do rating, que foi classificado pelo Tesouro dos EUA como baseado em análise "falha," pode aumentar os custos de empréstimos para o governo, empresas e consumidores no momento em que alguns economistas temem que os Estados Unidos possam voltar para a recessão.

Neste contexto, o Departamento de Trabalho anunciou na sexta-feira que o desemprego em julho caiu de 9,2 para 9,1 por cento, mas a melhora não foi suficiente para acabar com as dúvidas dos investidores sobre a frágil economia.

As ações em Wall Street tiveram a pior semana em mais de dois anos, refletindo a frustração com a frágil recuperação dos EUA e da Europa.

Ainda assim, as opções de Obama para aumentar o crescimento são limitadas. Os republicanos, que comandam a Câmara dos Deputados nos EUA, se opõem a novos gastos para estimular a economia.

"Ainda que a redução do deficit seja parte da nossa estratégia econômica, ela não é a única coisa que vamos fazer," disse Obama. "Precisamos de democratas e republicanos trabalhando juntos para fazer a economia crescer. Precisamos colocar a política de lado."

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