Obama presidirá encontro na ONU sobre armas nucleares

Presidente americano deve propor que países com armas atômicas abram mão de seus arsenais

Reuters e Associated Press,

24 de setembro de 2009 | 08h12

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, presidirá um encontro histórico no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira, 24, com a expectativa de que peça aos países com armas nucleares para que abram mão de seus arsenais.

 

Esta será a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos preside uma cúpula do conselho de 15 países desde a criação do órgão, em 1946. Diplomatas dizem que os membros do conselho devem adotar por unanimidade uma resolução apresentada pelos Estados Unidos, que declara a "necessidade de mais esforços na esfera do desarmamento nuclear" e pede a todos os países que não assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear para fazê-lo.

 

O conselho, que se reúne no segundo dia da sessão anual da Assembleia Geral da ONU, verá pela quinta vez uma reunião com chefes de Estado e de governo. Também será a primeira cúpula do Conselho de Segurança a focar exclusivamente em proliferação nuclear e desarmamento. Todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - têm bombas nucleares.

 

Integrado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança e Alemanha, o sexteto que articula uma solução diplomática para a crise se encontra com negociadores iranianos na próxima semana. Será a primeira reunião com participação de Teerã desde 2008.

 

Em declarações feitas a veículos da imprensa russa, um alto funcionário de Moscou que participa da reunião anual de abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e falou sob a condição de anonimato, disse que o país "não descarta a possibilidade" de apoiar, no Conselho de Segurança, mais uma rodada de sanções contra o programa nuclear iraniano. "O critério (para a mudança da posição russa) não será uma avaliação individual ou uma suposição, mas o relatório e as recomendações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", ressalvou a fonte às agências de notícia RIA-Novosti, ITAR-Tass e Interfax.

 

Mais discreto, o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, disse na quarta-feira num encontro em Nova York com seu colega americano, Barack Obama, que "às vezes, sanções são inevitáveis". Medvedev, porém, afirmou não acreditar que esse tipo de medida seja eficiente. "Infelizmente o Irã vem violando muitos compromissos internacionais", rebateu Obama. "O que discutimos (com Medvedev) foi como caminhar numa direção capaz de solucionar uma crise em potencial."

 

Na semana passada, Obama engavetou - sob elogios de autoridades russas - o controvertido escudo antimíssil idealizado pelo governo George W. Bush na Europa Oriental, o qual supostamente buscaria conter a ameaça balística iraniana. Moscou, porém, considerava-se o verdadeiro alvo do escudo.

 

Moscou tenta aprofundar as relações comerciais com o Irã e atualmente auxilia o país a construir seu primeiro reator nuclear para produção de energia. Mas, sob forte pressão americana, o governo russo permitiu a aprovação de três resoluções do Conselho de Segurança que impõem sanções ao Irã.

 

Após encontrar-se com Medvedev, Obama disse estar otimista em relação a um novo acordo entre EUA e Rússia para reduzir os arsenais nucleares. Segundo Obama, o pacto que substituirá o Tratado sobre Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês) deverá ser alcançado até o fim do ano.

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